A condenação do padre Egídio de Carvalho Neto ganhou repercussão na imprensa nacional nesta semana. O religioso foi sentenciado pela Justiça da Paraíba a 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão, além de multa, pelo furto de 676 celulares doados pela Receita Federal ao Hospital Padre Zé, em João Pessoa.
A decisão é da juíza Ana Christina Soares Penazzi Coelho, da 3ª Vara Criminal da Capital, e integra a primeira sentença entre as 11 ações penais que o padre responde no estado.
Também foi condenado no mesmo processo Samuel Rodrigues Cunha, ex-chefe do setor de Tecnologia da Informação do hospital, a 4 anos, 7 meses e 16 dias de prisão. Ambos deverão iniciar o cumprimento da pena em regime semiaberto.
Segundo o Ministério Público da Paraíba (MPPB), autor da denúncia, os celulares faziam parte de uma carga de produtos avaliados em R$ 807 mil, doados pela Receita Federal em maio de 2023 ao Hospital Padre Zé, mantido pelo Instituto São José e ligado à Arquidiocese da Paraíba.
A mercadoria foi recebida em Foz do Iguaçu (PR) e enviada ao hospital. No entanto, quando a conferência foi realizada, em julho de 2023, constatou-se que 12 das 15 caixas estavam vazias. Ao todo, 676 aparelhos, avaliados em R$ 525 mil, haviam desaparecido.
De acordo com a investigação, as caixas com os produtos de maior valor foram direcionadas à sala da Presidência do hospital sem conferência por terceiros. A apuração também identificou interrupção no sistema de câmeras da unidade no período do desaparecimento dos celulares.
Além da pena de prisão, os condenados deverão devolver R$ 525 mil ao Instituto São José e à Arquidiocese da Paraíba, valor que será corrigido.
O caso que resultou na condenação teve origem na operação “Pai dos Pobres”, realizada em 2023. Já em novembro daquele ano, o padre foi preso preventivamente durante a operação Indignus, que apura um suposto esquema mais amplo de desvios de recursos.
Segundo o MPPB, os desvios investigados podem chegar a R$ 140 milhões, valores que deveriam ser destinados ao atendimento de pessoas carentes e à compra de insumos e equipamentos hospitalares.
Desde abril de 2024, Egídio cumpre prisão domiciliar por questões de saúde, em razão de tratamento contra um câncer.
As defesas dos condenados informaram que já recorreram da decisão. Os advogados do padre classificaram a sentença como injusta e afirmaram que ele não participou do furto, destacando que foi o próprio religioso quem comunicou o desaparecimento dos aparelhos à polícia.
Já o advogado de Samuel Rodrigues Cunha sustenta que seu cliente agiu sob ordens do padre e busca absolvição nas instâncias superiores.
PB Agora








