Por pbagora.com.br

Cinco dias em que o Brasil parou. O bloqueio dos caminheiros nas principais rodovias do país, causaram transtornos aos brasileiros. A rotina foi alterada, com uma greve que começou tímida, mas que mexeu com todo o país. Os transtornos foram inevitáveis. Pela primeira vez na era Temer, os caminhoneiros mostraram a sua força. Responsáveis por transportar a riqueza do Brasil, eles interromperam a circulação de mercadorias. Sem mercadoria escoando, os brasileiros sofreram as consequências até então improváveis, do poder de articulação de uma categoria.

Na Paraíba, os reflexos da paralização dos caminhoneiros foram inevitáveis. Eles bloquearam as principais rodovias que cortam o Estado, e forçaram o governo a rever a sua política fiscal. Os protestos se multiplicaram por toda a Paraíba.

A falta de combustíveis nas bombas causou correria aos postos, e longas e quase intermináveis filas foram formadas. Em Campina Grande, os protestos afetaram as escolas, universidades, o sistema de transporte púbico, e até hospitais e postos de saúde. A frota de ônibus foi reduzida em quase 40% e os usuários do sistema tiveram que esperar horas para se deslocar para o trabalho.

Félix Araújo, superintendente de Trânsito e Transportes Públicos (STTP), informou que o combustível só era suficiente até esse final de semana.

O chefe do controle operacional de transportes da Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos de Campina Grande  Helder Carlos, confirmou os caos causados pela greve, e destacou que existem ônibus em todas as linhas da cidade, porém com a redução de frota em 40%.

Ele citou que a STTP aguarda a chegada do combustível para que as empresas possam voltar a circular normalmente.

Os taxistas e mototaxistas tiveram que reduzir as viagens, por falta de combustíveis. Os prejuízos foram muitos.

A greve dos caminheiros nas rodovias do país, além do desabastecimento nos postos, automaticamente, provocou escassez de produtos nos supermercados, e o inevitável aumento no preço.

Segundo o presidente da Associação dos Supermercados da Paraíba, José Willame Araújo, os lojistas já estão sentindo o desabastecimento, principalmente no setor de hortifrutigranjeiro, de laticínios e carnes,

– Isso nos preocupa porque, se essa greve continuar, vai trazer um reflexo negativo em curto prazo até que se restabeleça tudo. A indústria está sofrendo, porque não recebe matéria-prima para manufatura. As grandes cargas transportadas pelos caminhões estão todas retidas nos bloqueios – disse.

O sindicalista ainda ressaltou que, dependendo de quanto tempo mais dure a paralisação, haverá um grande prejuízo para os empresários do ramo, principalmente de produtos perecíveis.

– Já são quatro a cinco dias de atrasos nessas mercadorias, são produtos que não se tem em estoques e que os lojistas compram diariamente. Devido à greve teremos muitos problemas – disse.

Apesar do perigo de desabastecimento, o sindicalista pediu que não haja pânico entre a população, pois o estoque de produtos secos gira em torno de 10 dias.

Além das interdições, há um desabastecimento também de mercadorias, nos bairros já que os caminhões de carga estão parados nas rodovias ou sem combustíveis. Na Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas (Empasa), em Campina Grande e João Pessoa, os comerciantes estão trabalhando com o que ainda têm no estoque. Da noite de quinta-feira para a manhã desta sexta-feira, nenhum caminhão chegou nos dois polos e em Patos.

O tráfego aéreo também foi afetado. O Aeroporto Presidente João Suassuna em Campina Grande, suspendeu todos os voos na última quinta-feira, e muitos passageiros foram pegos de surpresa com a decisão.

Em João Pessoa, em dias normais, até a quinta-feira a previsão é de um fluxo de 120 caminhões por dia, mas durante a greve, cerca de trinta veículos chegaram na Empasa para abastecimentos. Já em Campina Grande, o normal é que o fluxo de caminhões fique dentro de uma variação de 150 a 170 veículos por dia, mas da quarta para a quinta-feira, apenas seis caminhões entraram no local.

Na Capital 75% da frota de ônibus deixou de circular, causando transtornos enormes aos paraibanos.

A paralisação também afetou a distribuição de gás de cozinha e em algumas cidades, já falta botijões nos depósitos.

A greve dos caminhoneiros também afetou a educação e a saúde. As universidades públicas, e as escolas suspenderam as aulas na sexta-feira. Nos postos de saúde, o atendimento foi reduzido, e o Samú ameaçou parar em Campina Grande por falta de combustível.

A Secretaria de Saúde de Campina Grande informou que por conta da crise no fornecimento de combustível precisou reduzir a circulação de veículos da frota da rede municipal de saúde, priorizando os serviços de urgência e emergência.

Todas as ambulâncias utilizadas no SAMU 192, hospitais municipais e nas UPAs 24h estão abastecidas com combustível suficiente para rodar até a próxima segunda-feira, 28.

O transporte dos pacientes que fazem tratamento de hemodiálise também está garantido.

Por medida de contenção, a partir desta quinta-feira, 24, as vacinas estão sendo distribuídas apenas para os Centros de Saúde, Policlínicas e o Instituto de Saúde Elpídio de Almeida – Isea.

O governo e representantes de caminhoneiros tentaram chegar a um acordo para suspender por pelo menos 15 dias a greve que atingiu o país na última semana, com o governo garantindo a subvenção do preço do diesel e reajustes a serem realizados apenas a cada 30 dias.

A proposta final, que levou pelo menos a maior parte da categoria a ceder a uma trégua de 15 dias, fará com que o governo garanta, até o final deste ano, que os reajustes do diesel sejam feitos apenas a cada 30 dias na refinaria e o governo compense as possíveis perdas da Petrobras , além de zerar a incidência da Cide sobre o diesel.

Na última sexta-feira, o Presidente da Republica Michel Temer (MDB), disse que o governo atendeu 12 das reivindicações dos caminhoneiros, mas como o acordo com os líderes do movimento não foi cumprido, ele determinou o uso das Forças Federais para desbloquear as estradas federais, e encerrar a paralização. 

 

Severino Lopes

PB Agora

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