Certa vez ouvi Jô Soares fazer um comentário que nunca esqueci: “O Brasil é assaltado todos os dias. Os que dominam os poderes o levam a poucos centímetros do fundo do poço, mas não conseguem destruí-lo.”
Em muitos momentos de nossa história, parece que somos administrados por uma elite movida mais pela ambição do que pelo compromisso com o bem comum. Para muitos, vale a máxima: “Dane-se quem puder, contanto que não seja eu nem os meus”.
Muitos dos beneficiários dos recursos públicos acumulam patrimônios, negócios e privilégios. Seus filhos estudam no exterior, e suas famílias vivem distantes das dificuldades enfrentadas pela maioria da população. Aqueles que têm em suas mãos o poder de transformar a educação brasileira em uma referência de excelência, muitas vezes a enfraquecem e, ao mesmo tempo, retiram seus próprios filhos dela para que não sofram as consequências do sistema que ajudaram a deteriorar.
Estados Unidos, países desenvolvidos da Europa e a Austrália tornaram-se refúgios para muitos deles. O Brasil, em diversos casos, fica reservado apenas para temporadas, negócios e lazer. Esposas e filhos permanecem longe das mazelas que afligem o cidadão comum.
A cada dois anos, o país vive o seu grande carnaval político. As urnas são abertas, promessas são renovadas, e a voz rouca das ruas é novamente convocada. No entanto, para muitos brasileiros, essa mesma voz acaba sendo utilizada apenas para alimentar um ciclo que parece se repetir indefinidamente, mantendo estruturas que pouco mudam e problemas que persistem.
Observação: Portugal tornou-se também um dos destinos preferidos de parte dessa elite privilegiada. Mas existe uma outra realidade brasileira em terras portuguesas: a dos milhares de trabalhadores que deixaram o país em busca de oportunidades. Muitos vivem em quartos alugados, longe de suas famílias, recebendo salários que giram entre 800 e 1.000 euros por mês, uma renda apertada diante do custo de vida atual daquele país. São pessoas que, por necessidade, buscaram recomeçar em outro lugar, carregando consigo sonhos, saudades e esperança.
Até quando esse quadro continuará existindo?
Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro
