Por pbagora.com.br

Um milhão de preservativos serão distribuídos entre os 223 municípios da Paraíba. É este o quantitativo que a Secretaria Estadual de Saúde, através das Gerências de DST/Aids, Ciclo da Vida e do Núcleo de Educação em Saúde vai distribuir para estimular a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis durante o Folia de Rua e o carnaval deste ano.

A campanha “Folia não tem idade!! Prevenção também não”, lançada pelo secretário estadual de Saúde, Geraldo Almeida, e pelo gerente de DST/Aids, médico Ranulfo Cardoso Júnior, no dia 12 deste mês, na arena multicultural do Verão Total 2009, aborda os festejos de Momo em todo o estado e terá como público prioritário a população feminina com mais de 50 anos.

“A campanha de carnaval 2009 dará continuidade à campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids 2008 e terá como público prioritário a população feminina com mais de 50 anos (a anterior era voltada a homens). A campanha é uma resposta à maior tendência de crescimento da epidemia entre mulheres. Além disso, a mulher nessa idade tem pouco poder de decisão no relacionamento”, frisou o médico Ranulfo Cardoso.

Faixa etária

Relativamente à faixa etária, dados epidemiológicos da Gerência de DST/Aids apontam que a incidência de Aids etária praticamente dobrou nessa população nos últimos 10 anos (de 7,3 em 96 para 14,5 em 2006). A taxa de mortalidade também tem aumentado (de 5,5 em 96 para 6,1 em 2006).

Os principais objetivos da campanha são para incentivar a mulher a conversar sobre sexualidade e falar sobre o preservativo, além de alertá-la sobre as vantagens do uso do gel lubrificante e de fortalecer a mulher para que ela possa ter condições de exercer mais plenamente sua sexualidade e de além de estimular a mulher a buscar o prazer na relação, mesmo depois da menopausa.

Ainda de acordo com o médico Ranulfo Cardoso, atualmente na Paraíba, já foram notificados, nos últimos 24 anos, entre1985 e 2009, 3.745 casos de Aids, com 1.176 óbitos registrados até o ano passado. A razão homem/mulher é 2:1 (2 casos masculinos para 1 caso feminino). O estado também registra o maior número de idosos com Aids, registrando 319 casos de Aids em pessoas acima de 50 anos.

A Paraíba ocupa hoje o 5º lugar entre os estados da região Nordeste com o maior número de casos de Aids, atrás de Pernambuco (14.308), Bahia (14.198), Ceará (9.462) e Maranhão (6.139).

A doença está presente em 149 municípios paraibanos, correspondendo a quase 67% de toda a Paraíba. A faixa etária mais atingida nesses 28 anos de Aids é a que compreende pessoas de 30 a 34 anos de idade e a principal forma de transmissão entre os paraibanos com mais de 15 anos é a sexual, responsável por mais de 77% dos casos.

Com relação a campanha, o secretário Geraldo Almeida assegurou que a distribuição do material, de fato, já começou a ser realizada por meio das 12 Gerências Regionais de Saúde, responsáveis pelo repasse dos preservativos junto aos municípios das suas áreas de atuação.

A distribuição dos preservativos também acontece através de parceiros da sociedade civil (Sistema S – Sesc, Sesi, Senai, Senac, Senat) e das ONG (Organizações Não-Governamentais). Também já estão celebradas outras parcerias intergovernamentais com os Correios, CBTU, Universidades Públicas, que receberão um CD com o jingle da Campanha para divulgação e cotas específicas de preservativos.

Recebem ainda cotas específicas de camisinhas o município de Campina Grande, que detém o segundo maior número de casos de DST/Aids no estado e o chamado “Carnaval das Praias” (Jacumã, Baía da Traição e Lucena).

Como em anos anteriores, a Secretaria de Saúde priorizará também a Capital, iniciando as ações desde o início da prévia carnavalesca Folia de Rua. Durante o lançamento da campanha, profissionais das Gerências de DST/Aids, Ciclo da Vida e do Núcleo de Educação em Saúde da SES promoveram uma grande mobilização, incluindo a distribuição de preservativos e material educativo para os visitantes do Verão Total Paraíba.

Médico alerta sobre resistência ao uso de preservativos no país

O gerente de DST/Aids, médico Ranulfo Cardoso Júnior, alerta ainda que, apesar das campanhas, muita gente ainda não usa camisinha em suas relações sexuais. “Não há quem não ouviu alguma vez na vida que o preservativo é um acessório essencial na vida sexual contemporânea. Desde a década de 80, quando a epidemia da Aids pegou o mundo de surpresa, não se fala em outra coisa, quando o assunto é sexo. A camisinha passou nas duas últimas décadas a fazer parte da vida das pessoas – apesar da resistência e proibição da Igreja Católica, por exemplo, em condenar seu uso por motivos absurdos e sem propósito prático em pleno século XXI”, destacou.

Com todo esse contexto, pesquisa recente divulgada em janeiro último pelo Ministério da Saúde apontou que 43% dos brasileiros admitiram que não usam camisinha com seus parceiros.

“Mesmo com a campanha mundial que se faz diariamente para que o uso da camisinha seja um fato corriqueiro e natural entre as pessoas, nem todos pensam dessa forma e, pior, não fazem uso desse pedaço de borracha que pode deixar doenças sexualmente transmissíveis fora de seu organismo”, denunciou o médico.

Ainda segundo ele, diversos temas como sexualidade, prevenção das DST/Aids, da gravidez não-planejada e do uso e abuso de drogas lícitas e ilícitas, ainda são assuntos que são recebidos com tabu na sociedade, mas que precisam ser enfrentados sem hipocrisia. Somente com a educação e a sensibilização estão entre as melhores estratégias no enfrentamento da epidemia de Aids, tanto no que diz respeito à prevenção das doenças, quanto à diminuição do estigma e discriminação contra as pessoas vivendo com HIV/Aids.

A União

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