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TRE-PB tem embate entre magistrados após referência à operação policial no Rio

Foto: Reprodução/Youtube

A análise do pedido de impugnação da candidatura de Vitor Hugo (MDB) a deputado estadual foi marcada por uma discussão entre integrantes do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), nesta segunda-feira (14). A divergência ocorreu após o desembargador Rodrigo Marques fazer referência a uma operação da Polícia Militar do Rio de Janeiro que deixou cerca de 120 mortos.

Durante seu voto, Rodrigo Marques utilizou o episódio ocorrido no Rio como elemento de comparação com a situação de segurança pública em Cabedelo. A menção provocou a reação da desembargadora Helena Fialho, que interrompeu a manifestação do colega e afirmou estar “apavorada” com o teor da declaração.

Helena argumentou que a operação mencionada foi alvo de condenações internacionais por violações de direitos humanos e demonstrou preocupação com o fato de uma manifestação desse tipo ocorrer durante uma sessão de uma Corte de Justiça.

“Eu fico abismada, preocupada, quando eu venho com magistrado numa Corte de Justiça. Nós estamos aqui num julgamento que está sendo acompanhado, fazer uma afirmação dessas que todas as pessoas que foram mortas no ato que foi condenado internacionalmente como uma violação de Direitos Humanos, que só morreu bandido, que portanto, dá a entender, que mereciam ter morrido. Eu realmente fico apavorada, eu queria apenas fazer esse comentário que vai ficar, essa gravação vai ficar por uma posteridade. Eu vi esse tipo de comentário e não posso ficar calada”, afirmou.

Após a intervenção, Rodrigo Marques respondeu à desembargadora e afirmou que não estava avaliando especificamente a legalidade da operação realizada no Rio, mas estabelecendo um paralelo com o avanço de organizações criminosas e seus reflexos em Cabedelo.

“Me espanta a desembargadora Helena trazer o fato e provas internacionais condenarem uma ação específica, e ficar abismada com um voto que traz uma realidade brasileira. Sou um magistrado com os pés no chão, desembargadora. Eu envergo a toga há 28 anos com os pés no chão. Eu não estou aqui julgando provas internacionais, nem ONGs, nem imprensa, muito menos dando publicidade a garantismo exacerbados. O que eu trago é que Cabedelo virou o Rio de Janeiro, numa proporção menor, e por isso que eu fiz o paralelo”, declarou.

O magistrado sustentou, portanto, que a referência ao Rio de Janeiro fazia parte de sua argumentação sobre o cenário de segurança pública e a presença de facções criminosas em Cabedelo.

A discussão entre os dois desembargadores foi interrompida pelo presidente da sessão, João Benedito, que conduzia os trabalhos da Corte Eleitoral.

PB Agora

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