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Transplante de fígado aumenta na Paraíba

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Uma espera longa e dolorosa. Assim é a vida das pessoas que precisam de um
transplante de órgão. Para amenizar essa dor e tornar mais célere todo esse
processo, o governo do Estado da Paraíba, através da Secretaria de Saúde
(SES), está colocando em prática várias ações. Uma delas foi à formação de
uma equipe de médicos, composta por um cirurgião geral, um cirurgião
cardíaco, um urologista e um anestesiologista, que vem atuando efetivamente
na captação de múltiplos órgãos a serem transplantados. O grupo foi
instituído no mês de novembro de 2009 após a secretaria constatar que a
média de transplante de fígado no Estado estava bem abaixo da nacional.

“No mês de outubro, foi realizada uma reunião onde se discutiu o baixo
índice de transplante aqui na Paraíba. Além da Associação Brasileira para
Transplante de Órgãos (ABTO), também participaram dessa discussão várias
entidades e médicos. O objetivo foi reunir toda a equipe na busca de se
identificar quais eram as necessidades para que o processo se tornasse
ágil”, explicou o chefe da equipe transplantadora de fígado na Paraíba,
Cássio Oliveira.

A captação de múltiplos órgãos é realizada no Hospital de Emergência e
Trauma Senador Humberto Lucena (HETSHL) e as cirurgias de transplante
acontecem em hospitais particulares da Capital, através de convênio com o
Sistema Único de Saúde (SUS) ou até mesmo em outros Estados. Em poucos
meses, o projeto já alcançou ótimos resultados.

Integrante também da equipe, o médico José Eymard Filho, clínico responsável
pelo transplante de fígado, relatou que com o investimento que vem sendo
realizado pelo atual governo no setor, já se observa um avanço considerável
no número de transplantes de fígado no Estado.

De acordo com ele, entre meados de novembro de 2009 até a primeira quinzena
de janeiro de 2010, já foram realizados cinco transplantes de fígado na
Paraíba, sendo o último no dia 14. “Temos muito que comemorar, pois a
Paraíba passou cerca de oito meses sem efetuar nenhum transplante de fígado.
Com a mudança de governo, se passou a investir mais na área de transplante.
Com essa nova política, em apenas dois meses, conseguimos alcançar esse
número, o que representa mais esperança para quem está na lista de espera”,
afirmou o médico José Eymard Filho.

Em cinco anos, de 2004 a 2009, a Paraíba realizou apenas 45 transplante de
fígado, o que representa uma média anual de 9 ou uma média mensal de 0,75.
Com a instituição dessa equipe, o atual governo pretende, para este ano de
2010, realizar três transplante por mês, o que representa uma média de 36
cirurgias ao ano.

Outro beneficio que os pacientes que precisam de um transplante terão será
um ambulatório especifico para esse tipo de atendimento. A unidade vai
funcionar no mesmo prédio do Instituto de Previdência Estadual (IPEP), no
bairro 13 de maio. O local está passando por uma reforma e deve ser
inaugurado ainda neste primeiro semestre. No ambulatório, o governo quer
otimizar o atendimento e para tanto vai atuar em três frentes, que são: a
identificação do paciente, o suporte que ele precisa e o acompanhamento.

O médico anestesiologista Ruy Evangelista, que integra a equipe de
transplante de fígado e coração, informou que com a inauguração do
ambulatório, o paciente não ficará mais peregrinando em busca de
atendimento. “Todos os serviços que o paciente precisar, ele vai encontrar
em um único lugar. Neste ambulatório, ele será avaliado, vai se inscrever na
lista de espera por um transplante, vai realizar todos os exames e
recebê-los no mesmo local, ou seja, vai ser acompanhado por toda uma equipe
antes e após a cirurgia”, explicou Dr. Ruy.

         O governo montou, no último mês de maio, uma equipe que atua no
diagnóstico de morte encefálica de possíveis doadores de órgãos e tecidos no
Hospital de Trauma de João Pessoa. O serviço funciona em regime de plantão
24 horas e conta com a atuação de quatro profissionais, sendo três
neurologistas e um neurofisiologista especialista em imagem. No HT também
foi reestruturada e ativada a Comissão Intra-hospitalar de Doação de Orgãos
e Tecidos para transplante (CIHDOTT). “A grande maioria dos doadores é
encontrada no hospital de Trauma. Por isso, foi capacitada essa equipe que
fica de plantão para o diagnóstico preciso da morte encefálica e a
identificação do possível doador, o que agiliza o processo de captação do
órgão”, frisou.

         De acordo com a equipe de transplante de fígado que trabalha no HT,
dois outros projetos devem ser implantados ainda este ano com o apoio
estrutural da Secretaria de Saúde. Um deles será o início de cirurgias de
transplante pediátrico e o outro de transplante entre doador vivo.
“Pretendemos sedimentar e ampliar as captações e transplantes na Paraíba.
Com o aumento do número de cirurgias, a idéia é criar um centro formador,
onde serão treinados profissionais para fazerem essa captação em outros
municípios do Estado”, planeja o clínico José Eymard Filho.

         Depois de ser retirado do doador, o tempo ideal para o fígado ser
transplantado é de 12 horas. Já os rins, o prazo são de 24 horas e o coração
apenas quatro horas. Em condições normais, qualquer pessoa até os 65 anos
pode doar seus órgãos e tecidos. Na última semana, a Paraíba comemorou o 50°
transplante de fígado desde que foi inaugurada Central de Transplante, há
cerca de 10 anos. O chefe da equipe transplantadora de fígado na Paraíba,
Cássio Virgilio de Oliveira, vê com muito otimismo o crescimento no número
de doações de órgãos no Estado, o que tem proporcionado aos futuros
candidatos ao transplante, uma esperança de vida. Segundo o especialista,
essa é a primeira vez no Estado que o assunto é tratado de forma
profissional por seus governantes.

“Hoje, há uma grande diferença na estrutura hospitalar. E essa melhoria
reflete justamente em mais captações e, consequentemente, em doações. Os
doadores sempre estiveram lá, mas era difícil identificá-los pela estrutura
frágil que existia. Agora, se há uma condição de manter esse potencial
doador até que seja concluído todo o processo para a realização do
transplante“, comemora o chefe da equipe.

         Associado a essa melhoria estrutural, as famílias começaram a
acreditar no serviço e mesmo sem uma campanha efetiva, estão concordando com
as doações. “Noventa e nove por cento das mortes de doadores acontecem de
forma brusca, ou seja, a pessoa é vítima de um assalto, acidente ou até
mesmo um suicídio. Mesmo nesse momento de dor, a família se sensibiliza com
a causa e autoriza a doação. Hoje, quase não temos negação dos parentes,
pois estes observam que a estrutura hospitalar está bem mais equipada e tudo
o que poderia ser feito para manter o ente vivo foi realizado. Isto é, o
paciente está sendo bem mais tratado e com isso a família, mesmo recebendo a
notícia da morte de forma abrupta, concorda com a doação. E esse apoio que
recebemos das famílias dos doadores é fundamental para a continuidade do
nosso trabalho, que é devolver a esperança de vida para uma pessoa que
muitas vezes passou anos em uma lista de espera por um órgão”, frizou Cássio
Virgilio de Oliveira. Atualmente, 12 pacientes na Paraíba estão na lista de
espera por um fígado.

         Na região Nordeste, segundo o chefe da equipe, o Estado do Ceará
ocupa o primeiro lugar na lista de transplante de fígado. Porém, com todos
os investimentos e projetos, a Paraíba teve se igualar ou até mesmo
ultrapassar essa margem em pouco tempo. “Com a inauguração do ambulatório
vamos ampliar ainda mais essa rede de serviço. Além de concentrar todos eles
em um único lugar, também vamos priorizar o atendimento humanizado, onde
vamos acompanhá-los no pré e pós-operatório. Cada paciente terá seu
prontuário cadastrado na central e com isso, facilitar ainda mais sua
identificação. Todo esse trabalho só tem um objetivo: amenizar cada vez mais
o sofrimento dessas pessoas”, destacou.

Os órgãos

Um único doador pode ajudar a salvar a vida de mais de 10 pessoas. Podem ser
doados: as córneas; o coração; o pulmão; os rins; o fígado; pâncreas; ossos;
medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de
sangue); mais pele e válvulas cardíacas. Para mais informações sobre doação
de órgãos, os interessados podem acessar o endereço eletrônico
www.saude.pb.gov.br/transplante ou ligar para a Central de Transplante nos
telefones 3244 6192 ou 9981 1085. O telefone do Banco de Olhos é 3216-5744.

Secom
 

 

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