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Trabalhos em madeira ganham destaque no XIX Salão de Artesanato

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O uso de recursos naturais como matéria-prima no artesanato é uma constante, principalmente a madeira de todas as espécies, que estão entre as mais frequentes de onde brotam formas diversas do imaginário artístico popular. No XIX Salão de Artesanato da Paraíba, que está sendo realizado no Jangada Clube, na praia de Cabo Branco, em João Pessoa, o espaço destinado à tipologia madeira tem sido um dos mais visitados pelos turistas que ficam encantados com a riqueza de detalhes das peças esculpidas e trabalhadas.

 

Entre a variedade que a tipologia madeira apresenta está o trabalho do artesão José Morais, natural do município de Campina Grande. Participante do Salão desde sua primeira edição, o artesão lembra que deixou o ramo da alimentação para se dedicar ao artesanato em um momento de dificuldade financeira.

 

“Naquela época vendíamos muito fiado e acabei não tendo como me sustentar. Até que passei na casa de um amigo peguei uma faquinha de serra e um pedacinho de umburana e comecei a talhar miniaturas de utensílios domésticos e depois comecei a esculpir as casas de taipa. Tudo da minha lembrança da primeira casa que tive. Hoje, vivo disso, graças a Deus”, relembrou o artesão.

 

Chaveiros, peças decorativas e casinhas típicas de sertanejo são hoje sua marca registrada já estando presentes em vários países como Bélgica, Canadá, Estados Unidos, Turquia e Portugal, onde tem peças representadas em uma exposição de artesanato.

 

O artesão Djair Duarte, morador do bairro de Cruz das Armas, em João Pessoa, se especializou em fazer réplicas de fachadas dos casarões antigos, bem como dos barcos. Formado em modelista naval e apaixonado por embarcações, ganhou uma bolsa de estudos para se qualificar no Museu Nacional do Mar, localizado na ilha de São Francisco do Sul, em Santa Catarina.

 

“Lá estudei muito e voltei experiente para fazer réplicas de barcos, com escalas de proporções reais, que variam desde contratorpedeiros da Segunda Guerra Mundial até botes pesqueiros, mais conhecidos como ‘tótótó’, presentes no Litoral do Nordeste. Não queria apenas fazer barcos decorativos, queria mesmo era aprender como funcionava e fazê-los flutuar para depois saber explicar”, revelou o artesão Djair.

 

Além disso, ele trabalha com réplicas de fachadas antigas todas feitas em madeira, como o Casarão dos Azulejos, o Palácio da Redenção e vários casarões antigos do Centro Histórico de João Pessoa. “Aprendi com meu pai, que trabalhou na reforma de muitos deles, e acordava assim que o sol nascia e ia observar a beleza desses lugares singulares”, lembrou o artesão.

 

O artesão Gilson Saraiva, de São José de Brejo de Cruz, município do Alto Sertão paraibano, percorreu 530 km para expor seus animais feitos em fibra de cipó em mais uma edição do Salão de Artesanato Paraibano. Apesar do cansaço da viagem, o artesão disse estar orgulhoso em poder representar sua pequena cidade de pouco mais de mil habitantes, bem como uma das vertentes da tipologia fibra.

 

“O sacrifício não é pelo dinheiro, mas pelo amor à arte que para mim é uma consagração. Faço todos os meus animais, desde cavalos, burros com barris de água, típicos da região, até dinossauros e girafas. É gratificante e compensa porque quando chegamos aqui temos incentivo e apoio. Já fui procurado por churrascarias e vendi algumas peças maiores e meus animais acabaram virando um cartão postal da entrada do salão. Todo mundo que chega quer voltar para casa com uma foto neles”, observou o artesão Gilson.

 

A pessoense Jamylle levou o marido americano de Nova Orleans, Brian Owverney-King, pela primeira vez ao Salão de Artesanato da Paraíba. “Eu já conhecia o salão das primeiras edições e percebi que está bem maior, bem mais estruturado e com mais opções e diversidade de artesanato. Ainda tem muita coisa para olhar, mas já estamos levando flores belíssimas feitas em fibra de bananeira. Nunca tínhamos visto nada parecido antes”, disse Jamylle.

 

O engenheiro mecânico, Carlos Barbiere, de Curitiba, visitou o Salão pela quarta vez, mas foi a primeira visita dos seus filhos Mateus e André, de 5 e 3 anos, respectivamente. “Eu já sabia da grandiosidade do evento e exclusividade de muitas peças, mas achei incrível porque meus filhos adoraram e estão encontrando também brinquedos populares em madeira, por exemplo, que nunca tinham visto. É um espaço que sempre recomendo aos meus conterrâneos e que nunca vou deixar de visitar”, disse Carlos.

 

De acordo com a gestora do Programa de Artesanato, Ladjane Barbosa, o resultado parcial das vendas já está sendo computado, mas a expectativa é de superação em relação às edições anteriores. “Temos recebido muitos elogios, os artesãos também sempre nos surpreende com seus trabalhos cada vez mais elaborados e em apenas uma semana de evento já superamos a marca de visitantes e as vendas já ultrapassaram a ordem dos R$ 100 mil”, destacou.

 

O salão – Considerada uma das maiores feiras de artesanato do país, o XIX Salão de Artesanato da Paraíba apresenta o tema “Nossa Arte tem Fibra” e destaca trabalhos de 6.272 artesãos de 130 municípios. Com muita novidade e inovação, os artesãos apresentam, além das peças em fibra, diversas tipologias em trabalhos produzidos em madeira, algodão colorido, cerâmica, couro, tecelagem, brinquedo, pedra, metal, osso, cordel, xilogravura e habilidades manuais.

 

O 19º Salão de Artesanato da Paraíba é uma promoção do Governo do Estado, por meio do PAP, que é vinculado à Secretaria de Estado do Turismo e do Desenvolvimento Econômico (Setde), sob a coordenação geral da primeira-dama do Estado, Pâmela Bório.

 

Funcionamento – O Salão funciona diariamente das 15h às 22h, até o dia 26 de janeiro. As exceções são para os dias 31 dezembro, bem como para o dia 1º de janeiro, quando o evento será fechado para as festas de final de ano. A visitação é gratuita.

Redação com Assessoria

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