Categorias: Paraíba

Terras da PB estão comprometidas

Processo de desertificação avança e 66,6% das terras férteis da Paraíba já estão comprometidas

 

Estudos revelam que o processo de desertificação tem avançando bastante numa proporção de mais de 60 mil km² por ano, ou seja, 12 hectares por minuto. Um dado preocupante, principalmente para os Brasileiros. Uma pesquisa feita pela Embrapa e Unicamp, apontou que só no Estado da Paraíba 66,6% das terras férteis foram comprometidas pelo processo de desertificação. No Ceará chega a quase 80%.

A boa notícia é que parte dessa terra pode ser recuperada, com caminhos e métodos adequados. Só que dos R$ 49,4 milhões destinados a enfrentar o problema entre 2004 e 2009 apenas 20% foram utilizados.

Ainda na nona reunião da Convenção da ONU sobre Luta contra a Desertificação, realizada em Buenos Aires, no final de setembro e começo de outubro, ficou claro que a situação continua a agravar-se. Só para focar mais perto de casa, foi dito ali que a América Latina e o Caribe já têm 25% de terras áridas, semiáridas e subúmidas secas. E destas, 75% com sérios problemas de degradação por causa do clima e do mau uso. Argentina, México e Paraguai são os países com mais problemas. Mas o Brasil tem mais de 1 milhão de km2 envolvidos no processo, dos quais 180 mil no Semiárido nordestino e mineiro, em situação mais delicada. Ao todo são 1.482 municípios (15% do território nacional) e 32 milhões de pessoas.

Segundo a ONU, no mundo 2 bilhões de pessoas vivem em áreas com terras secas predominantes – 40% da superfície da Terra. Dessas, 325 milhões (40% da população total do continente) estão na África, onde o processo evolui mais rapidamente que em qualquer parte. Até 2025, diz a ONU, a seca pode atingir 70% do planeta. De 1990 para cá, cresceu 15% a área atingida. E quase nada se tem avançado no enfrentamento do problema, devido, além do clima, a desmatamento, mau uso e degradação do solo, urbanização em áreas antes férteis (em 40 anos um terço das terras de cultivo foi abandonado). E esse caminho é dos que mais contribuem para o crescimento do número de “migrantes ambientais”, que já são 24 milhões hoje e poderão ser 200 milhões em 2050.

No campo da água, propriamente, o caminho mais indicado para abastecer as populações que vivem em pequenas comunidades isoladas, onde não chegam nem chegarão adutoras com águas de transposição, é o das cisternas de placas, que recebem a água de chuva canalizada nos telhados e a depositam em reservatórios de paredes cobertas por placas que impedem a infiltração na terra. Por esse caminho, na estiagem, uma cisterna pode abastecer com 20 litros diários de água cada uma das pessoas na casa – “uma bênção”, como disse ao autor destas linhas uma mulher no interior de Pernambuco, erguendo as mãos para o céu. Já se construíram mais de 200 mil cisternas de placas e é preciso chegar a 1 milhão – mas, infelizmente, o grosso dos recursos no Semiárido vai para o programa de transposição de águas do São Francisco, que não as atenderá, já que mais de metade da água transposta irá para programas de irrigação de produtos destinados à exportação e outra grande parte, para reforço do abastecimento de água das cidades que, em média, perdem mais de 40% da que sai das estações de tratamento.

Nas zonas rurais, o caminho está também em barragens subterrâneas e barragens encadeadas, que viabilizem cada vez mais programas como a cultura de caju, do umbu, da cera de carnaúba, de fibras e outras, além da apicultura, piscicultura (em reservatórios já existentes), caprinocultura e outras.

Em março, em Petrolina e Juazeiro, será realizado o Encontro Nacional de Enfrentamento da Desertificação, no qual se pretende construir um “pacto pelo desenvolvimento sustentável do Semiárido”. Será uma boa oportunidade de avançar. Não apenas conceitualmente, mas acertando a destinação dos recursos imprescindíveis, que até aqui são quase ridículos. Abrindo para sua utilização caminhos corretos, que não sejam nem o das megaobras como a do São Francisco (muitas vezes comentadas aqui), nem os que acabam concentrando água para poucos beneficiários (como nos grandes açudes construídos durante décadas em propriedades privadas, sem beneficiar o grosso da população).

É preciso ressaltar, como tem feito a ONU, que a degradação da terra não é apenas consequência de mudanças climáticas, é causa também – como tem sido observado, principalmente, na África, onde a terra degradada é fonte geradora de emissões que intensificam o efeito estufa. A recuperação dessas terras ajuda a fixar carbono e até removê-lo da atmosfera. E nesse ponto entra em cena o problema do mercado mundial de carbono, em que os financiamentos continuam a escassear, ante a incerteza quanto do futuro do Protocolo de Kyoto e seu Mecanismo do Desenvolvimento Limpo, que destina recursos a esses caminhos.

Os novos conceitos permitem enfrentar dois problemas ao mesmo tempo, o do clima e o da pobreza – não esquecendo que hoje há mais de 1 bilhão de pessoas que passam fome todos os dias.
 

Redação

Últimas notícias

Baía da Traição limita uso de paredões e define regras de som para o Carnaval 2026

A Prefeitura de Baía da Traição, no Litoral Norte da Paraíba, estabeleceu normas específicas para…

8 de fevereiro de 2026

Domingo tem previsão de chuvas fortes e rajadas de vento em toda a Paraíba, alerta Inmet

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu neste domingo (8) um alerta para a ocorrência…

8 de fevereiro de 2026

Treze e Campinense medem forças neste domingo em clássico que pode valer a liderança do Paraibano

Será o 421º Clássico dos Maiorais. E 39 títulos conquistados. A rivalidade é histórica e…

8 de fevereiro de 2026

Lucas Ribeiro acompanha monitoramento das forças de segurança e participa da abertura do carnaval de Patos

O vice-governador Lucas Ribeiro cumpriu agenda, nesse sábado (7), no município de Patos, onde acompanhou…

8 de fevereiro de 2026

Sine-PB oferta mais de 480 vagas de emprego em nove municípios paraibanos a partir desta segunda

O Sistema Nacional de Emprego da Paraíba (Sine-PB) disponibiliza, nesta segunda-feira (9), 485 vagas de…

8 de fevereiro de 2026

Mega-Sena, concurso 2.970: prêmio acumula e vai a R$ 47 milhões

O sorteio do concurso 2.970 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (7), em…

8 de fevereiro de 2026