Terceiro maior município do Estado em extensão territorial, Sousa, no Sertão da Paraíba, está à beira de um colapso total no abastecimento de água para consumo humano. Com 66 mil habitantes, o município tem uma área de pouco mais de 842,4 quilômetros quadrados e o seu principal manancial, o açude de São Gonçalo está com apenas 29,7% de sua capacidade total de armazenamento de água.
O açude tem capacidade para armazenar mais de 44,6 milhões de metros cúbicos. Segundo a Aesa, na terça-feira (03), dispunha de pouco mais de 13,2 milhões de metros cúbicos. O que preocupa é que essa marca, cada vez mais, vem caindo.
Desde março o abastecimento na cidade sofre racionamento e até a semana passada todos os bairros estavam passando por rodízio para ter água nas torneiras das casas. A água do manancial é captada e tratada pela Companhia de Água e Esgoto da Paraíba e distribuída pelo Departamento de Água, Esgotos e Saneamento Ambiental – (Daesa).
De acordo com a superintendente da Aesa, Margela Elias, o fornecimento em Sousa foi normalizado, apenas, devido a um problema no registro da cidade o que comprometeu por três dias o abastecimento quase por completo em todo município. Ainda segundo ela, o sistema de rodízio deve ser retomado já na próxima semana.
“Estamos fazendo o estudo para um novo sistema de rodízio que já deve ser implantado na próxima semana. Antes a cidade estava dividida em dois blocos. Quando um tinha água o outro ficava sem e vice-e-versa”, afirmou.
A superintendente apresentou uma perspectiva preocupante. Caso não chova e ações efetivas não resolvam o problema da falta de água, os moradores podem ficar sem água para beber em fevereiro do próximo ano.
Nos dias em que toda região ficou com o fornecimento interrompido, os moradores enfrentaram enormes filas. Muitas pessoas precisaram pedir ajuda a vizinhos que possuem poços artesianos.
O deputado estadual Lindolfo Pires, que ocupa a Casa Civil do Estado e é de Sousa, informou que o perímetro irrigado de São Gonçalo é a área mais prejudicada pela estiagem.
A situação vem se agravando nos últimos oito anos. Com a municipalização dos serviços de abastecimento de água em 2005, na gestão do então prefeito Salomão Gadelha, vários problemas passaram a ser registrados. O corte de água por falta de pagamento deixou de existir o que gerou um descontrole no consumo. Segundo informações recentes do Escritório Regional da Cagepa, a cidade de Sousa consome duas vezes mais água do que a cidade de Patos, que tem mais de 100 mil habitantes.
Dados revelados pela atual direção do DAESA apontam que dos vinte mil imóveis cadastrados no município de Sousa, apenas dois mil proprietários pagam as contas de água. Sem a presença de hidrômetros o volume consumido pela população não é mensurado.Existe também descontrole com relação aos postos de “lava jato” de carros e motos.
Redação com portalcorreio








