Alguém ajudou a construir esse encontro entre o pré-candidato à Presidência da República do Brasil, Flávio Bolsonaro, e o presidente norte-americano Donald Trump, nesta terça-feira, 26 de maio de 2026.
Na fase politicamente delicada que Flávio atravessa, todo apoio ou gesto de aproximação internacional acaba sendo bem-vindo. Se isso trará dividendos eleitorais concretos, somente o tempo dirá.
Não se tratou de um encontro entre dois chefes de Estado, mas entre o presidente dos Estados Unidos e um pré-candidato brasileiro. Marco Rubio, atual secretário de Estado dos Estados Unidos e uma das figuras mais influentes da política externa norte-americana para a América Latina, certamente teve participação ou ao menos conhecimento da articulação desse encontro.
Rubio mantém atenção especial sobre o cenário político latino-americano, principalmente em países onde setores conservadores e de direita buscam fortalecimento político, como Cuba, Venezuela, Nicarágua e também o Brasil.
Ao mesmo tempo, o Partido Republicano já começa a observar os possíveis nomes para o futuro da política americana pós-Trump. Entre os nomes mais citados aparecem o atual vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e o próprio Marco Rubio, ambos disputando espaço dentro do conservadorismo americano.
Donald Trump, evidentemente, não necessita da presença de Flávio Bolsonaro no Salão Oval para compreender o quadro político brasileiro. O governo norte-americano possui acompanhamento permanente e detalhado dos acontecimentos políticos da América Latina, especialmente do Brasil, maior país do continente.
Talvez a pergunta silenciosa feita por Trump a Flávio tenha sido esta:
“Você realmente tem condições de derrotar Lula nas eleições de outubro? Espero que sim, porque trabalhar com governos alinhados mais à direita sempre facilita nossos interesses estratégicos no continente. Caso contrário, continuaremos trabalhando diplomaticamente com Lula e sua equipe, ainda que talvez essa não seja a opção preferida de muitos setores conservadores americanos.”
E o povo?
O povo continua sendo a voz rouca das ruas.
Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro