Por pbagora.com.br

O secretário Chefe da Casa Civil, José Ricardo Porto, recebeu, na tarde desta quinta-feira (26), a ouvidora da Secretaria Especial de Política Para as Mulheres, do governo federal, Ana Paula Gonçalves, designada pela ministra Nilcéia Freire para vir a João Pessoa e encaminhar providências sobre o caso de violência contra a mulher sofrida pelas integrantes da Cooperativa de Floricultores do Estado da Paraíba (Cofep). José Ricardo Porto anunciou, ainda, que comandará um estudo para a criação de uma Secretaria Estadual da Mulher. “É um assunto que necessita de soluções urgentes”, conclui.

A reunião também contou com a presença da funcionária do Ministério da Saúde, Sônia Lacerda, convidada diretamente pela ministra, além de representantes da Comissão de Sistematização do Plano Estadual de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Estudos de Implantação de Organismo de Políticas para Mulheres, criada pelo governador José Maranhão no dia 08 de março, além da Cooperada da Cofep Maria Helena.

A Cooperativa de Floricultores do Estado da Paraíba é responsável por grandes transformações na região do Brejo paraibano, principalmente nos municípios de Pilões e Areia. Atualmente, tem o seu desempenho ameaçado pelas constantes ameaças e agressões realizadas pelo ex-marido da presidente da instituição, Karla Cristina Rocha.

Durante a reunião, a presidente da Cofep, Karla Rocha, expôs a sua história de luta para a criação da Cooperativa, o sucesso do empreendimento e a situação de risco que ela e todas as outras 35 cooperadas enfrentam há um ano e meio, quando seu ex-marido começou a fazer sérias ameaças e chantagens, exercendo uma verdadeira tortura psicológica.

“Ele, assim como alguns outros homens da região, não suportaram ver o desenvolvimento do projeto. Para alguns era inadmissível que, em uma área famosa pela produção de cachaça e aguardente, um projeto para a plantação de flores, e realizado por mulheres, estivesse tendo sucesso. Enfrentamos o machismo em nome de uma melhor qualidade de vida para muitas famílias, mas agora estamos pagando um preço alto”, conta Karla, revelando que seu ex-esposo já chegou atirando no local onde funciona a Cooperativa.
A presidente explica que todas as participantes do projeto estão indo trabalhar amedrontadas e, diante das muitas ameaças, ela encontra-se impedida de freqüentar o seu próprio local de trabalho. Karla já percorreu todos os trâmites legais, denunciando o caso à Delegacia da Mulher. O seu esposo chegou a ser detido, mas ganhou a liberdade em uma semana.

O exemplo da Cofep já foi adotado por vários países, rendendo à Karla e à Coperativa diversos prêmios nacionais e internacionais. Recentemente, a presidente recebeu o convite da ministra Nilcéia Freire, do Ministério da Mulher, para participar da campanha federal “Mulheres, donas da própria vida”, inclusive emprestando sua imagem para os panfletos de divulgação.

Em um encontro realizado essa semana, em Brasília, Karla solicitou à ministra apoio para a sua segurança e das demais integrantes da Cooperativa, objetivando dar continuidade ao projeto ameaçado. Atendendo prontamente, Nilcéia Freire encaminhou a Ouvidora para acompanhar Karla em seu retorno a João Pessoa.

“Fomos muito bem atendidas pelo Governo do Estado e confesso que agora estou mais tranqüila, porque recebemos um grande apoio”, conta Karla. Em visita à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, o secretário Gustamo Gominho designou dois agentes para ficar acompanhando a presidente da Cofep.

O secretário Chefe da Casa Civil, José Ricardo Porto, afirmou que Karla pode ficar tranqüila quanto à continuidade do Projeto, já que serão tomadas sérias providências para garantir a integridade física e moral das cooperadas. ”Faremos uma visita para conhecer o projeto e nos reuniremos com o juiz da Comarca, o delegado da cidade e representantes da Polícia Militar para discutir que medidas podem ser adotadas nesse sentido”, garantiu o secretário.
 

Assessoria

 

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