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Rio de Janeiro: azarão com governadores!

Dizem alguns que o carioca não sabe votar. Será? Não sei se, envolto por tanta alegria, irreverência e paixão pela vida, o carioca às vezes esquece de manter como diz o velho ditado um olho na missa e outro no padre. A verdade, porém, é que a realidade tem mostrado um sofrimento prolongado do povo fluminense com sucessivos líderes no Executivo estadual.

Desde o processo de redemocratização, no final dos anos 1970, o estado do Rio de Janeiro vem atravessando ciclos difíceis de governo. Leonel Brizola, que governou em dois períodos, talvez tenha sido a figura mais emblemática dessa fase. Político carismático e de personalidade forte, para muitos foi um líder popular e visionário; para outros, um governante marcado por um discurso estatizante e por ideias consideradas excessivamente ideológicas.

Depois dele vieram outros governadores: Marcello Alencar, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel e, por último, Cláudio Castro.

De alguns desses períodos especialmente os governos dos Garotinhos, Sérgio Cabral e Pezão é melhor nem lembrar. Escândalos, denúncias, crises fiscais e administrativas marcaram profundamente a história recente do estado. Há capítulos dessas gestões que tiram o sono de qualquer cidadão atento e dariam material para inúmeros artigos relatando falcatruas, esquemas de corrupção e verdadeiras aberrações administrativas.

A situação chegou a tal ponto que o Rio de Janeiro viu governadores presos, afastados ou envolvidos em graves crises institucionais. Cláudio Castro, que assumiu o governo após o afastamento de Wilson Witzel, herdou um estado profundamente fragilizado institucional e financeiramente. Ainda que tenha tentado conduzir a máquina administrativa em meio a tantas turbulências, sua passagem pelo Palácio Guanabara terminou de maneira melancólica. Em decisão tomada por maioria de votos, o Tribunal Superior Eleitoral o condenou por abuso de poder político e econômico relacionado à campanha de reeleição de 2022, encerrando seu ciclo político sob forte desgaste institucional.

E assim segue a história recente de um dos estados mais belos e importantes do Brasil, mas que parece carregar uma sina administrativa pesada.

Com novas eleições sempre no horizonte, cabe ao eleitor carioca repensar seus critérios, examinar melhor seus candidatos e procurar, por todos os meios, depositar seu voto de forma consciente, responsável e vigilante.

O Rio de Janeiro merece mais.

Pois o Rio de Janeiro, em sua natureza, continua lindo.

Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro


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