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Republicanos vive teste de coerência após anúncio de cobrança por alinhamento

A declaração do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), nesta segunda-feira (23), de que irá “cobrar alinhamento” de todos os filiados do partido em torno da chapa governista levanta um questionamento inevitável: essa cobrança será aplicada de forma uniforme ou poderá haver seletividade interna?

Hugo defende apoio integral às pré-candidaturas de Lucas Ribeiro (PP) ao Governo, João Azevêdo (PSB) e Nabor Wanderley (Republicanos) ao Senado. O discurso é de unidade e coerência partidária. No entanto, a realidade interna do Republicanos na Paraíba parece mais complexa.

Filiados da legenda já sinalizaram apoio ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), que se coloca como alternativa ao Palácio da Redenção. Entre eles, vereadores da capital e, principalmente, o deputado estadual Felipe Leitão, que é filiado ao Republicanos e declarou apoio a Cícero.

Diante desse cenário, surgem algumas perguntas centrais:

  • A cobrança anunciada por Hugo Motta alcançará todos os filiados, independentemente do peso político que possuem?
  • Haverá sanções formais para quem descumprir a orientação partidária?
  • Ou a exigência de alinhamento será mais rígida para quadros menores, enquanto lideranças com maior capital eleitoral terão tratamento diferenciado?

A questão é sensível porque envolve dois princípios que frequentemente entram em choque na política: disciplina partidária e pragmatismo eleitoral. Em tese, um partido que integra oficialmente a base governista deve atuar de forma coesa. Porém, na prática, alianças locais, projetos pessoais e cálculos estratégicos costumam falar mais alto.

Se o Republicanos optar por tolerar dissidências de nomes de maior expressão — como Felipe Leitão —, a cobrança poderá ser interpretada como seletiva. Por outro lado, caso haja punições ou medidas disciplinares amplas, o partido pode enfrentar desgaste interno e risco de fragmentação.

No fim, a fala de Hugo Motta abre mais do que um aviso político: inaugura um teste de autoridade dentro do Republicanos. A forma como o partido conduzirá esse processo dirá se o “alinhamento” será uma diretriz institucional ou apenas um discurso estratégico de momento.


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