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Reeducandas doam cabelos para mulheres com câncer

Maria José, Ruth, Clara (nomes fictícios) e outras dez mulheres têm em comum hoje a condição de cumprirem penas na Penitenciária de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa.

Mas não só isto. As 13 reeducandas estão unidas numa causa humanitária. Por iniciativa de uma delas, todas doaram seus cabelos a mulheres e crianças com câncer. Um ato de amor a quem perdeu os cabelos na doença e uma lição de vida que serve de exemplo.

As 13 mechas dos cabelos de Ruth, Maria, Clara e suas colegas de cela, foram entregues na tarde da segunda-feira (14) a uma representante da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Os cabelos seguirão para São Paulo e em 15 dias voltarão em perucas que elevarão a alta estima de quem as receber.

Na opinião da diretora da penitenciária, a agente Mirtes Daniele da Silva, a iniciativa das internas é algo muito positivo: “A gente vê com um olhar muito positivo porque consegue entender que, de alguma forma, elas são excluídas da sociedade, mas, demonstram também que são pessoas humanizadas, que podem fazer algo de bom e estão praticando um gesto de amor com brilho nos olhos. Na verdade a doação é vontade delas que sentiram o desejo de doar os cabelos a uma instituição séria que é a Rede Feminina de Combate ao Câncer”.

Mirtes acredita que o acompanhamento periódico de ressocialização “influencia sim, a gente tenta passar humanidade e os resultados têm sido positivos”, conclui.

A agente de segurança e chefe de disciplina, Suzane Tenório Barreto, acompanhou e deu apoio à iniciativa de uma apenada que em poucos dias convenceu outras 12 colegas a doar os cabelos. “Uma apenada é cabeleireira, a gente falou com ela e de imediato se dispôs a cortar os cabelos. Então fizemos contato com a Rede Feminina de Combate ao Câncer. A gente aqui incentiva iniciativas positivas como esta”, declarou Suzane.

Ângela, 35 anos, acredita que a atitude dela e de suas colegas também tem relação com o que lhes é transmitido na ressocialização implementada pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), “Alguma lição fica, toca nossos corações. O apoio da direção ao abrir as portas para a excelente idéia de nossa colega, que nos sensibilizou, fez com que a gente decidisse cortar nossos cabelos. No banho de sol ela ficou nos incentivando, vai fazer uma pessoa feliz, nosso cabelo vai crescer de novo, então decidimos doar”.

Maria José, 28 anos, afirmou que é uma alegria fazer uma doação. “Fico feliz pela oportunidade de estar doando uma mecha de meu cabelo para as pessoas que estão com câncer e necessitadas. Convido mulheres em liberdade a visitar o Hospital Laureano e doarem seus cabelos porque com certeza é por uma boa causa e com certeza Deus vai abençoar”.

Fátima Vieira, secretária da Diretoria da Rede Feminina de Combate ao Câncer, afirma que o exemplo de solidariedade de pessoas que estão confinadas “é uma lição humanitária para pessoas que estão em liberdade até para conscientizá-las de que a solidariedade é o caminho”.

O Hospital Napoleão Laureano recebe permanentemente cabelos doados. Basta que as pessoas cortem, levem e coloquem em uma urna disponível no hospital. Para a doação os cabelos devem estar limpos, enxutos e o corte no mínimo de 20 centímetros, além de amarrados e embalados em saco plástico. Um cabeleireiro de João Pessoa é voluntário nesse projeto. É ele quem encaminha para São Paulo e quando recebe as perucas as entrega à Rede Feminina de Combate ao Câncer.

 

Secom

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