Por pbagora.com.br

 Reduzir os problemas ambientais nas indústrias e empresas paraibanas, a partir do conhecimento científico e da introdução de um novo conceito de percepção sobre a questão dos recursos naturais como matéria-prima para o processo produtivo. Esta é uma das metas do programa de extensão desenvolvido pelo Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), voltado aos setores empresariais e que tenta quebrar o paradigma atual no qual o desenvolvimento segue um modelo meramente capitalista, que visa o lucro máximo, e não subsiste à luz da exigência do desenvolvimento sustentável.

Coordenado pelos professores Antônio Augusto Pereira de Sousa e Djane de Fátima Oliveira, o Programa de Gestão Ambiental nas Empresas (PGAMEM) está sendo desenvolvido com o intuito de mobilizar os colaboradores de empresas públicas e privadas, dando preferência aos micro e pequenas indústrias do Estado da Paraíba, levando-os à reflexão e busca de soluções para os problemas ambientais gerados nos seus respectivos setores industriais.

O programa foi iniciado em 2008 pelos departamentos de Química e Engenharia Sanitária e Ambiental, com a realização de um trabalho ambiental nas empresas da construção civil, mineração, papel, cooperativas e escolas. Em nove anos de execução, o programa contribuiu para mudar algumas práticas nas empresas campinenses. Nesse período, dez professores e mais de 100 alunos foram envolvidos na iniciativa, oriundos também dos cursos de Administração e Filosofia.

“O programa tem como resultados o aumento gradativo no interesse pela reflexão, discussão e aprofundamento das questões ambientais e o fomento da sensibilização dos profissionais com relação às questões ambientais nas atividades produtivas”, destacou o professor Augusto, idealizador da iniciativa.

A metodologia explorada abrange várias etapas, como diagnóstico das atividades empresariais, realização de cursos de capacitação, confecção de material didático-pedagógico, implantação de projetos de pesquisa e extensão, elaboração de relatório final e realização de conferência para apresentação dos resultados e avaliação. O desafio, conforme destacou o professor Augusto, é vencer as resistências e convencer os gestores a abrirem espaços para as ações ambientais, como palestras, oficinas, mobilização, abordando temas como sustentabilidade, manejo adequado dos recursos sólidos, além dos aspectos relacionados a água e a atmosfera.

Segundo o professor Augusto, a cada ano mais empresas aderem ao programa, aceitando a realização do trabalho ambiental. “O impacto que esse programa provoca é abrir junto as empresas um trabalho de conscientização feito pela Universidade. Nós tratamos de temas que fazem parte do cotidiano das empresas e que, geralmente, são deixados de lado”, salientou.

O maior viés do programa é no campo da educação ambiental, o que envolve alguns projetos de pesquisa relacionados a soluções ambientais, visando não apenas diagnosticar os problemas, mas apresentar alternativas para melhorar o meio ambiente sem, com isso, afetar o lucro das empresas. Como forma prática, ao longo dos nove anos de existência o programa já resultou na realização de dezenas de congressos e implantação de projetos de pesquisas. A rede formada pela UEPB com as empresas também contribuiu para a implantação de cursos de pós-graduação lato sensu na Instituição.

As projeções para o programa visam a implantação do Núcleo de Estudo em Gestão Ambiental nas empresas, proporcionando planos de atuação nas áreas de educação ambiental e de inovação e tecnologia na gestão ambiental nas empresas, além de fornecimento de subsídios técnico-científicos. Na fase atual, cinco professores estão vinculados ao programa e seguem desenvolvendo atividades nas empresas. São eles: Djane de Fátima Oliveira, Edlane Laranjeira, Verônica Evangelista e Márcia Isabel Cirne, todas do Departamento de Química, e o professor Wiliam Paiva, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental.

Um dos projetos de pesquisa em execução, coordenado pelo professor Antônio Augusto, visa reutilizar os resíduos de granito para diversos tipos de aplicações. A ideia é aplicar uma tecnologia dentro das empresas para dar destino adequado aos granitos sem degradar o meio ambiente. Outro projeto, também coordenado pelo professor Augusto, conscientiza os funcionários das empresas sobre a importância de reaproveitar os óleos domésticos. O óleo é trazido pelos funcionários para as empresas e transformado em sabão, que é usado nos próprios postos de trabalho. Uma das empresas na qual as atividades já foram desenvolvidas é a Granfugi, localizada na Alça Sudoeste de Campina Grande.

Redação com assessoria

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