Combater a criminalidade não é fácil. Convencer delegados em greve também não. Insatisfeitos com seus salários, os doutos delegados da Paraíba, mais uma vez, paralisam as atividades em todo o Estado. E deixam o governo, que procura se destacar pelo investimento em planos de cargos, concursos e reajustes salariais, com sensação de ser injustiçado pela cobrança.

O engraçado é que, para boa parte da população, nem faz muita diferença. Nunca se sabe se os inquéritos policiais são lentos por causa dos delegados em greve ou por causa dos delegados em atividade. Ao tratarem da fase pré-processual dos crimes, os delegados dão o primeiro tom no ritmo que determinado caso vai seguir. Sem eles, o cidadão começa a desacreditar da Justiça antes mesmo que o processo nela aporte.

Mas quanto vale este trabalho? Para eles, os delegados, vale tanto quanto o Estado diz não poder pagar. Há, portanto, algo de medieval nessa cobrança dos delegados. Eles exigem aquilo que, em tese, parece-lhes de direito líquido e certo. Mas não conseguem compreender que não estão negociando com governo suíço ou chinês, antes da crise.

Os delegados decretaram há um tempo uma greve que me pareceu mais justa. Ganharam , de certa forma, uma adesão da imprensa. Jornais oposicionistas divulgavam a precariedade das delegacias em funcionamento no Estado, os baixos salários dos delegados, e dificuldade em se trabalhar no comando de inquéritos policiais no Estado.

Houve certa adesão da opinião pública. O governo não teve como negar. Abriu o diálogo, negociou e se comprometeu com o aumento. Greve suspensa. Delegados de volta ao trabalho. Até que, olhando o quintal do vizinho, os doutos delegados ficaram com água na boca com aumentos dados aos procuradores do Estado e outros profissionais de carreira jurídica. (Ainda bem que não são pagos pelo Tribunal de Justiça).

Resultado: suspenderam a suspensão da primeira greve e entraram em greve de novo.

Só que o povo não entendeu. Os delegados estão em greve porque o governo não cumpriu o que prometeu inicialmente? Ou porque consideraram que, antes de receber o anteriormente negociado, deviam cobrar mais?

A segunda opção, me parece, é a que vem pautando o novo movimento grevista. Em suam, os delegados se deram conta de que estavam errados na primeira negociação. Conclusão: não sabem o que estão pedindo.

Tanto não sabem que quando são perguntados sobre o que estão exigindo os delegados dizem: “Nós queremos números, uma proposta real do governo”. Quem pode provar que, depois de uma nova proposta, os delegados não vão se convencer, daqui a alguns meses, que podem entrar em greve de novo para pedir mais?

Sinceramente, não há clima de apoio popular para esta nova greve dos delegados.

Se for coerente, cá pra nós, até a oposição na Paraíba, inclusive, deve ficar do lado do governo. Porque foi ela que bradou aos quatro cantos do Estado que o governo era irresponsável ao prometer tantos aumentos salariais aos servidores. E que só estava fazendo isso para inviabilizar suposto governo Maranhão.
Os delegados da Paraíba, que reconhecem receber salários melhores que colegas de outros estados, estão perdidos em sua reivindicação, assim como um novato diante de um inquérito policial.

Vão entrar em greve mais uma vez. Quem sabe, pelo menos agora, eles achem justo o salário que vão receber mesmo sem trabalhar. 

 

Soltas

Incoerência – Foi um deputado da oposição, mesmo pedidno reservas, que confidenciou a Zenóbio Toscano (PSDB) que o grupo recebeu a orientação para retardar o processo de extinção do Tribunal de Contas dos Municípios, que Maranhão tanto atacou, até decisão do TSE. Coerência não é mesmo o forte das oposições.

 

Carnaval  – Sem querer entrar na polêmica do PT, onde correntes começam a defender teses divergentes quanto o apoio do partido para 2010, o vereador Luciano Cartaxo declarou que iria prescrever Picolé de Manga para esfriar a cabeça dos companheiros.

 

Estadualizando – Ex-prefeito de Conceição, Alexandre Braga tem lugar confortável no gabinete do prefeito Ricardo Coutinho (PSB).

 

Saidera – De um socialista da cúpula: “O PSB tem se especializado em filiar traíras”.

 

 

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