“Em setembro de 1983, uma equipe do Centro Studi Ricerche Ligabue, de Veneza (Itália), fotografou em rocha pertencente à Formação Sousa. Do Cretáceo Inferior, estas duas pegadas, gravadas no terreno quando um dinossauro terópode, bípede e carnívoro, estancou sobre os dois pés. As pegadas raríssimas e consideradas entre as mais importantes já encontradas, continuavam no local em maio de 1984, mas em outubro a ação predatória de desconhecidos havia provocado seu desaparecimento. Assim, em curto espaço de tempo, o homem destruiu rastros que a natureza preservou durante milhões de anos, o que demonstra a urgência das medidas voltadas para a proteção dessas obras-primas essenciais ao estudo da evolução da vida no planeta, escreveu o paleontólogo Giuseppe Leonardi. (*)
(*) Revista Ciência Hoje, volume 2 Nº. 15, novembro/dezembro de 1984.
MUSEU JEOVÁ BATISTA – SANTA LUZIA-PB
O tempo passou sem que se soubesse ao certo, oficialmente o paradeiro dessa relíquia da paleontologia até que o site da Prefeitura Municipal de Santa Luzia-PB escreveu a matéria com o título “TURISTAS VISITAM O MUSEU JEOVÁ BATISTA” e dentre outros destaques do acervo do museu consta: “A instituição ainda mantém em seu acervo uma pegada de dinossauro”.
A PEDRA COM PEGADAS PERTENCE AO VALE DOS DINOSSAUROS
Sabe-se que os acervos dos museus vão sendo constituídos por doações, trocas de peças entre museus e até por compras;
Acontece, porém, que a pedra que se encontra no Museu Jeová Batista, em Santa Luzia contendo um par de pegadas raríssimas de um dinossauro terópode, bípede e carnívoro, não foi objeto de doação por parte do poder publico municipal Sousa, pois para que isso fosse possível, precisaria, pois, de contar com a autorização do Ministério Público do Patrimônio Público da Comarca de Sousa. E ao que me parece não foi o que aconteceu.
Essa raridade da paleontologia desapareceu do sitio Piau, no município de Sousa, quando o paleontólogo Giuseppe Leonardi precisou se ausentar temporariamente de Sousa quando ele realizava pesquisas na Bacia Sedimentar do Rio do Peixe.
Ao retornar aos trabalhos de campo percebeu que a ação predatória do homem havia provocado o desaparecimento dessa relíquia, declarou: “O homem destruiu rastros que a natureza preservou durante milhões de anos, o que demonstra a urgência das medidas voltadas para a proteção dessas obras-primas essenciais ao estudo da evolução da vida no planeta”.
Agora resta saber quais os tramites que serão adotados para que essa raridade da paleontologia seja devolvida ao município de origem, para integrar o acervo do Museu do Monumento Natural Vale dos Dinossauros, em Sousa-PB.
Folha do Sertão com Luiz Carlos da Silva Gomes
