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No meio do caminho tinha um sonho: Pedro, Leo e a pedra de 2028

Assim como Cícero Lucena foi apontado nos bastidores como o “algoz” de Lucas Ribeiro ao rechaçar a tese de candidatura natural ao Governo do Estado em 2026 — por ser o vice e herdeiro lógico da sucessão — um novo movimento começa a desenhar possíveis tensões no cenário de João Pessoa mirando 2028.

O ex-deputado federal e presidente do PSD na Paraíba, Pedro Cunha Lima, declarou publicamente que sonha em ser prefeito da capital. A afirmação foi feita durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da FM 100.5 nesta terça-feira (24).

“Eu não sei mentir. Eu vou dizer o quê? Que eu não tenho o sonho de ser prefeito? Não pode mentir, né? Eu não vou mentir. Eu falei a minha verdade”, afirmou.

Embora tenha afastado qualquer movimento imediato para 2028, a declaração inevitavelmente projeta sombras sobre o futuro político do grupo, especialmente em relação ao vice-prefeito Leo Bezerra, apontado como nome natural à sucessão municipal.

Nesse tabuleiro, cabe uma lembrança inevitável da literatura brasileira. No poema No Meio do Caminho, de Carlos Drummond de Andrade, os versos ecoam como metáfora perfeita do momento:

“No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.”

Na política pessoense, a “pedra” pode ser justamente o sonho declarado. Não é candidatura posta, não é rompimento anunciado, mas é um elemento que passa a existir — e, uma vez posto no caminho, não pode ser ignorado.

Pedro argumenta que, se quisesse ser candidato “a todo custo” em 2028, não estaria fortalecendo Cícero, que mantém compromisso político com Leo. “A partir do momento que eu fortaleço Cícero, eu fortaleço Leo”, disse.

O raciocínio é lógico. Mas a política não vive apenas de lógica; vive de expectativas, sinais e movimentos antecipados, afinal, Cícero foi eleito e reeleito com apoio do PP em João Pessoa (2020 e 2024), elegeu o filho deputado federal pelo PP (2022), mas, quando tudo parecia que culminaria em retribuição, decidiu seguir outro caminho por não concordar com a sucessão do PP (2026).

E onde fica Cícero nisso tudo? O prefeito administra hoje uma equação delicada: tem Leo como vice e herdeiro político declarado, e Pedro como aliado estratégico e liderança relevante no campo oposicionista estadual. A convivência é possível — até que o tempo transforme sonho em projeto.

Ao mesmo tempo em que reforça o grupo, Pedro mantém viva uma ambição que, cedo ou tarde, precisará encontrar espaço no calendário eleitoral e pode repetir uma história hoje protagonizada por Cícero.

Se 2028 ainda está distante no discurso, a pedra já está posta no caminho. E, como ensinou Drummond, certas pedras, uma vez notadas, jamais deixam de existir na memória política.


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