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PB: metade dos homicídios de mulheres em janeiro são tratados como feminicídio

Metade dos homicídios de mulheres que aconteceram no primeiro mês de 2019 na Paraíba estão sendo tratados, de forma preliminar, como feminicídio. Os casos estão sob investigação da Polícia Civil, mas foram cometidos pelo companheiro ou ex-companheiro das vítimas. Quatro mulheres foram assassinadas em janeiro deste ano. Duas delas podem ter sido mortas simplesmente por serem mulheres.

Os dados foram repassados pela Secretaria de Segurança e Defesa Social da Paraíba (Seds), por meio da Lei de Acesso à Informação. No mês de janeiro, ao todo, 76 pessoas foram vítimas de homicídio doloso, aquele que há a intenção de matar.

Os casos ainda estão sob investigação, mas as cenas do crime levam a um dado preliminar de feminicídio. A lei nº 13.104, sancionada em 2015 pela ex-presidenta Dilma Rousseff, inclui o feminicídio no rol dos crimes hediondos. É feminicídio o homicídio contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, isto é, quando envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Números oscilam bastante em dez anos

Os últimos dez anos não foram felizes para as mulheres da Paraíba. De 2009 a 2018, um total de 1.083 mulheres foram assassinadas. Em 2018, o número chegou a 84 mortes. Os dados oscilam bastante, mas a maior alta foi no ano de 2011, com 146 mulheres vítimas de crimes violentos. Embora, segundo o Governo da Paraíba, tenha havido uma redução de 29% nos casos desde 2010, os números mostram que não há um controle dos casos.

Luciana Buriti, 23 anos, morta com mais de 50 facadas

Luciana Buriti tinha apenas 23 anos quando foi morta com mais de 50 facadas durante a madrugada do dia 31 de janeiro. O crime aconteceu no bairro da Catingueira, em Campina Grande, na noite do dia 30. O principal suspeito do crime é o ex-companheiro dela, com quem tinha um filho de 3 anos, testemunha da morte brutal da mãe. No dia do feminicídio, ele fugiu, e a suspeita que iniciou a investigação era de que o ex-companheiro não aceitava o fim do relacionamento.

No dia 5 de fevereiro, Ednaldo de Araújo Barbosa, conhecido como Nino, foi preso. Ele se apresentou com uma advogada na Central de Polícia Civil e alegou que matou a ex-companheira por causa de uma traição. “Ela me traiu, todo mundo do bairro sabia”, tentou justificar. Ele estava escondido em um matagal e, ao ser preso, contou que foi incentivado pelos amigos a matar a ex-companheira. Luciana Buriti já tinha registrado um boletim de ocorrência contra Ednaldo na Delegacia da Mulher.

Mulher morreu na madrugada da quinta-feira (24) após ser esfaqueada em Itapororoca, no Agreste da Paraíba — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Maria José Xavier, 20 anos, esfaqueada

Maria José era ainda mais nova que Luciana Buriti, 20 anos. Perdeu a vida no dia 24 de janeiro, depois que foi esfaqueada. O companheiro dela é o principal suspeito do crime. O feminicídio aconteceu em Itapororoca, no Agreste da Paraíba. Maria José ainda foi levada ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O irmão da vítima disse que as agressões eram constantes e que o crime foi motivado por ciúmes. José Gomes da Silva já tinha cortado o cabelo de Maria José com faca e a ferido com um facão. No momento da morte, Maria estava com a filha de poucos meses de idade nos braços. José Gomes jogou a criança no chão e esfaqueou a companheira. Ele conseguiu fugir e está foragido. Maria José tinha três filhos e voltava da igreja quando foi vítima de feminicídio.

G1

 


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