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Opinião: querem “apedrejar” o padre, mas não estamos vivendo a Lei de Moisés

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Em nossa língua portuguesa, há um provérbio muito conhecido, que sofre pequenas variações a depender do local onde ele é pronunciado: “Quem tem telhado de vidro, não joga pedra no do vizinho!”. A origem dessa frase da sabedoria popular se relaciona com o desafio dirigido por Jesus aos fariseus e aos mestres da Lei no evangelho: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra.” (Jo 8,7).

“Ter teto de vidro” significa que todos têm uma fragilidade pessoal ou um “calcanhar de Aquiles”. E aí vem a fantástica sabedoria de Jesus, que estava no monte das Oliveiras. De madrugada voltou ao templo, e todo o povo escutava; e Jesus, sentando-se, o ensinava.

Os escribas e os fariseus trouxeram uma mulher apanhada em adultério, puseram-na no meio de todos e disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher tem sido apanhada em flagrante adultério. Moisés nos ordenou na Lei que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?”. Jesus, porém, ainda abaixando, começou a escrever no chão com o dedo, e no momento seguinte, disse-lhes: “Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro que lhe atire uma pedra”.

Um a um os presentes foram saindo do local, ficando só Jesus e a mulher no lugar em que estavam. Então, levantando-se , perguntou-lhe: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?”, Respondeu ela: “Ninguém, Senhor”. Disse Jesus: “Nem eu tampouco te condeno; vai, e não peques mais!”.

Não vivemos mais a Lei de Moisés, e o padre tem direito da ampla defesa

E assim é muito fácil julgar a conduta do padre José Gilmar, pároco da Paróquia Santa Teresinha, no bairro do Roger, em João Pessoa, que passou três dias desaparecido e depois foi encontrado no município do Conde.

Ele mudou versão do sequestro e afirmou que mentiu em relação ao sumiço. Em coletiva nesta segunda-feira (26), a Polícia Civil informou que o clérigo criou toda essa “estória” a fim de buscar uma fuga para um suposto problema que vem passando. Pessoas haviam feito a cobrança de R$ 50 mil nas suas redes sociais.

Em franco gesto de desespero decidiu optar pelo suicídio tamanha a dor e pressão psicológica que estava sofrendo, assim relatou ele. À Polícia Civil disse o religioso que se dirigiu sozinho em um carro para o Litoral Sul, tentou se afogar. Desistiu! Ficou dois dias dentro do veículo, orando, e decidiu se entregar à polícia .

Que a justiça seja feita de forma correta

E nesse enredo digno de um filme de apurado drama, ouvi pelas ruas as mais diversas teorias. Da pedofilia a consumo de drogas atribuído ao clérigo. E isso doeu na minha pessoa. Claro que por ser pároco, o caso de José Gilmar recebeu e vem recebendo grande atenção da mídia e da população.

E sim, ele errou. E pagará na letra fria da lei. De início, o religioso será autuado por falsa comunicação do crime e denunciação caluniosa. O inquérito está só começando. Mas é preciso lembrar que muitos já o querem apedrejá-lo, condenando-o sem qualquer julgamento justo.

E aí, lembro: todos nós temos telhados de vidro. Que a justiça se faça, mas sem histeria inquisitória de muitos. Por fim, golpes virtuais existem, e todos sabem da existência de tais. E se as pedras forem jogadas naquele que fala a verdade?

Por isso, é bom cada um analisar esse momento delicado e buscar, pelo menos, “pecar” de forma mais branda, uma vez que também podemos ser crucificados se errarmos de forma contundente. E isso em nada está ligado à religião ou fé.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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