Quanto à preservação dos seus monumentos históricos, o que se esperar de um Estado que manteve por muitos anos o busto de um dos seus mais expressivos vultos e um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, Augusto dos Anjos, atolado num verdadeiro mar de lama e xixi, no Parque Solon de Lucena?

Nada. Infelizmente nada.

É por estas e outras – que denotam o desinteresse do poder público pela nossa memória – que as gerações atuais não sabem quem foram o próprio Augusto dos Anjos, os internacionais Celso Furtado, Pedro Américo e José Siqueira, apenas para ficar nestes paraibanos pra lá de ilustres.

Indignação

Muito embora vivamos num Estado que tanto desrespeita os seus expoentes, nem todos se acostumam ou aceitam tal situação.

Esta semana, uma postagem com texto e foto da lavra do jornalista Chico Pinto, causou indignação nas mídias sociais: a estátua em bronze e de corpo inteiro, do poeta, compositor e músico Livardo Alves, em situação de absoluto abandono, sendo vandalizada em pleno Ponto de Cem Réis.

Livardo, já falecido, é um dos nossos expoentes culturais. Digo que “é”, porque o artista não morre totalmente, perpetua-se em sua própria produção artística. Ele é autor da famosa Marcha da Cueca; do samba de breque O Sobressalto – em parceria com Vital Farias-; e da música de protesto O Meu País, gravado pelo cantores Flávio José e Zé Ramalho, além de parcerias com o jornalista Gilvan de Brito, que foi seu amigo inseparável.

O chapéu e os óculos que compunham a estátua do compositor e poeta pessoense – nascido e criado no bairro da Torre – já desapareceram. Muito provavelmente, foram vendidos como um ferro velho qualquer.

Alguns bons pessoenses insatisfeitos com tamanho absurdo – conforme retrata a foto feita e divulgada pelo jornalista Chico Pinto – trataram de externar a sua indignação, fazendo o seu protesto: ao lado da estátua de Livardo, puseram uma placa em letras garrafais e em cores azul e laranja, dizendo o seguinte: “Me ajude. Estão me destruindo”.

Um outro pessoense que por ali passava ou trabalha por perto, certamente com a intenção de alertar a população sobre o risco de coronavírus, teve a iniciativa de colocar na estátua de Livardo uma máscara dessas que todos nós atualmente usamos para não contrair a Covid-19.

No seu texto intitulado “Falta de Pudor”, carregado de protesto e indignação, o jornalista Chico Pinto pergunta: “Finalmente, para que serve a Guarda Municipal?”. De fato, é estranho que a famosa GP não veja tão flagrante atentado ao patrimônio público e cultural da Paraíba, especialmente, de João Pessoa.

A coluna chancela todos os termos do texto de Chico Pinto, inclusive a pergunta seguinte: se a Guarda Municipal serve apenas para perseguir em camelô.

O autor das mal traçadas linhas incorpora toda a indignação de Chico e de outros bons paraibanos que não suportam o desprezo do poder público com o nosso patrimônio cultural e artístico. Até porque, com Livardo Alves, na famosa PRI-4 Rádio Tabajara da Paraíba, formou uma dupla de repórteres policiais que, no turno da noite, percorria delegacias e hospitais em busca de notícias para o noticiário do dia seguinte.
Prefeito Cartaxo, chame o feito à ordem!
Livardo merece mais respeito!..

 

Wellington Farias

PB Agora

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