Por Eliabe Castor

Partidários e adversários do marxismo parecem concordar em um ponto sobre a célebre frase: “A religião é o ópio do povo”. Tal pensamento representa a concepção marxista do fenômeno religioso. Contudo, essa fórmula não foi parida especificamente no “ventre” de Karl Marx, e mais: ela é muito pouco exata em um Estado democrático.

Pode-se encontrar, antes de Marx, algumas nuances de tal pensamento em Kant, Herder, Feurbach e muitos outros. São observações filosóficas, excluindo a verdade absoluta, pois ela reside em cada ser.

E saindo de tal contexto, importante é observar que o Brasil é um país laico. Ou seja: existe a separação entre Estado e Igreja. Os ideais da laicidade mostram que os interesses religiosos não podem interferir nas decisões governamentais.

Esse é um ponto benéfico, aos meus olhos; e observo a importância de não confundir o ateísmo empregado em países que proíbem qualquer tipo de ligação entre os seus cidadãos e a religião.

Agora o cerne da questão da Coluna de hoje. As medidas incluídas no decreto do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal de João Pessoa, restringindo provisoriamente algumas ações da sociedade. Todas para tentar conter o avanço da Covid-19 na Capital e municípios paraibanos.

E dentre as proibições residem, por exemplo, as celebrações religiosas entre os dias 24 de fevereiro e 10 de março. E aí me deparo com um conflito interno, que outros, sejam eles adeptos a cultos cristãos, afros e derivações estão se perguntam. Qual o motivo dos atos religiosos serem inseridos nas restrições?

Em conversa exclusiva com a Coluna do PBAGORA, o secretário de Saúde do Estado, Geraldo Medeiros, explicou que, antes das medidas restritivas, o arcebispo emérito da Paraíba, Dom Delson Pedreira da Cruz aprovou a medida, buscando resguardar a vida dos fiéis católicos e de outras denominações religiosas.

No mesmo diapasão da fé, em profunda humanidade, o líder da Primeira Igreja Batista da Paraíba, Pastor Estevam Fernandes, em gesto assertivo revelou ser favorável à medida, observando que o templo estará fechado por um breve momento, mas que “Deus está dentro de cada um, e permanecerá”.

“O templo, a igreja, somos nós. Temos um espaço que contempla 2 mil pessoas. Mas pelo o bom senso, nós, pastores, padres, temos a obrigação de zelar pela a vida. Não podemos colocar as pessoas em risco, pois somos a favor da vida”.

Como Dom Delson, Pastor Estevam informou que houve diversas conversas para ser efetivada a paralisação momentânea dos cultos evangélicos com o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), chegando em denominador comum “que a fé está dentro de nós, e que arriscar a vida humana, havendo uma carga viral em ambientes é desnecessário”.

Por fim, Estevam Fernandes informou que vem realizando cultos online que chega a envolver 5 mil pessoas da sua denominação religiosa. “Eu estou conversando diuturnamente com os pastores. Claro que não há um consenso em relação à medida, mas procuro mostrar o bom senso e preservar a vida”.

E aqui eu digo que os dois líderes religiosos estão certos. Ainda mais: quebra o tabu. Estado, religiosidade e ciência devem caminhar juntos.

 

Por Eliabe Castor

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