Por Eliabe Castor

O dia é de sol. Um belo dia de sol escaldante no verão pessoense. Encerrada essa estação, chuvas torrenciais e inesperadas chegam. Ruas viram rios e praticamente toda a mobilidade urbana é prejudicada. Nos dois cenários, os que mais sofrem são aqueles que dependem do transporte público. Uma frota reduzida, motoristas passando o troco e ao mesmo tempo dirigindo – pois a figura do cobrador vem de forma célere definhando-se- sem falar a superlotação, escassez das linhas e na pouca ou nenhuma pontualidade do transporte coletivo na Capital paraibana.

Motoristas “queimam” as paradas, muito pelo o estresse e cobrança dos empresários do setor. Não há ar refrigerado e purificado dentro do que classifico como uma grande caixa de transporte. Todos respirando de uma só vez a pandemia, higienização interna quase inexistente, solavancos, quedas dentro dos ônibus devido às freadas buscas, assaltos, assédio sexual. Uma verdadeira Gomorra, ou Sodoma dentro dos ônibus.

O caos é apenas um eufemismo para descrever o inferno que nem Dante suportaria passar com seu corpo dentro de tais “latões”. “Uma Divina Comédia” que coloca purgatório longe do paraíso, cada vez mais. E sim, quem depende do transporte público e não tem o rendimento necessário para usufruir dos aplicativos, tem que enfrentar tal inferno, inferno esse que não é barato, pois atualmente a tarifa de ônibus de João Pessoa tem dois valores, sendo R$ 4 para pagamento no cartão Passe Legal (bilhetagem eletrônica) e R$ 4,15 para quem opta por pagamento em dinheiro. Os valores foram definidos em janeiro de 2020.

Agora os empresários querem novo aumento nas tarifas, alegando prejuízos, muito em função dos aplicativos, havendo supostamente redução na frota, sucateamento da mesma, demissão no setor e um conjunto de impostos que dizem os magnatas prejudicar um setor que está subordinado à concessão pública. Então, não sendo mais viável, que entreguem suas rotas para os que observam o setor de forma diferenciada, havendo lucro e comodidade para os passageiros. É simples. Chantagem não adianta.

A amiga e colega Adriana Bezerra, com sua pena de puro talento escreveu na manhã desta terça-feira (26) o seguinte comentário:

“Os empresários de ônibus de João Pessoa ajustaram o time para pedir reajuste da tarifa após a entrada em vigor do novo salário mínimo. A maioria dos usuários do transporte coletivo ganha, em média, até dois mínimos.

O custo com transporte já abocanha em torno de R$ 250,00 do orçamento do usuário com a tarifa de R$ 4,15.E então entra em cena – Naiara Azevedo pode mensurar o impacto disso – nossos R$ 55 reais.

Vê que coincidência? Sim, coincidências existem. Mas não é o caso. É no aumento de R$ 55,00 que eles estão de olho. Nem esperaram a data base dos motoristas (que é em julho). Até porque dificilmente o reajuste se materializará nos contracheques dos trabalhadores dos coletivos.

Vão alegar crise. Uma crise que já provocou demissões em massa nas empresas de transporte coletivo e reduziu vencimentos, com cortes no vale-alimentação. A crise que atinge tão duramente os trabalhadores, pouco importa.

Eles querem colocar em seus cofres os 55 reais que foram acrescentados ao salário mínimo. E vão conseguir se ninguém colocar freio nesse comboio desgovernado pela ganância. Em tempo, Adriana Bezerra é colunista do Portal de Notícias Fonte 83.

Adriana Bezerra tem razão e Cícero não pode ceder aos “caprichos” dos empresários

Adriana Bezerra foi assertiva nas suas considerações, e o prefeito Cícero Lucena (PP) não pode baixar a guarda para o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa (Sintur-JP), como fez por oito anos o seu antecessor, Luciano Cartaxo (PV), que sempre aceitava as cláusulas leoninas apresentadas pelo órgão, prejudicando, especialmente, os trabalhadores de baixa renda.

Lucena, em suas redes sociais, já tirou o “cavalinho” da chuva da Sintur-JP, ao informar que não há previsão para aumento de tarifas nos ônibus coletivos da cidade. “Não há previsão para reajuste da passagem até o momento. Os horários dos ônibus estão sendo ajustados conforme a Semob-JP e a Sintur observam a necessidade de alteração”, escreveu em seu Instagram, o gestor.

Para Cícero Lucena, a prioridade no transporte público municipal não está condicionada ao aumento de tarifas e, sim, daqueles que utilizam o mesmo e seu bem-estar.

Na mesma postagem disse o prefeito: “Teremos a tecnologia como nossa principal aliada, tanto no monitoramento do trânsito, como na questão da segurança e desenvolvimento de projetos que tragam uma melhor fluidez ao trânsito e segurança para todos nós”.

O gestor acerta e cumpre uma promessa de campanha. Então, a linha é essa. O empresário que se sentir lesado, entregue sua rota, pois o povo não irá acender velas para quem busca apenas a usura.

Por Eliabe Castor

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