Por Eliabe Castor
 
 

Ainda bem pequeno sempre tive gostos comuns e incomuns, como por exemplo meu grande amor pela antropologia, filologia, arqueologia e o saudoso refrigerante Fratelli Vita. Também adorava matar morcegos, empinar pipas, jogar bola de gude e ter interesse especial pela política.

Pelo exotismo, acabei abraçando ou abarcando o jornalismo político. E nessa trilha me encontro com quase 50 anos de idade, e 28 de profissão. E é claro que já vi, cometi, errei e acertei muitas projeções pela inteira lógica. E neste pleito, consegui o feito de lograr êxito em quase todas as minhas simplórias projeções.

Uma delas apontava um segundo turno envolvendo o comunicador Nilvan Freire (MDB), à época (outubro de 2019), sendo convidado pelo presidente do PSL da Paraíba, deputado federal Julian Lemos, a ser o pré-candidato à Prefeitura de João Pessoa pelo ex-partido do presidente Jair Bolsonaro. (Hoje sem legenda).

Nilvan Ferreira

Na mesma época o ex-senador Cícero Lucena, ainda no (PSDB), hoje um dos generais do (PP) não cogitava o retorno à vida pública. E arrisquei: os dois toparão; e expoentes como o ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB) e o deputado federal Ruy Carneiro (PSDB), além do candidato escolhido por Luciano Cartaxo (PV) sucumbirão. Era razão e intuição em um mesmo caldeirão.

O caminho do segundo turno

E Aí se viu uma série de fatores que colocaram à prova de fogo e consolidação dos nomes de Nilvan Ferreira (MDB) e Cícero Lucena. Cito, como por exemplo, a intransigência de Cartaxo em buscar perpetuar seu poder na Capital, os problemas jurídicos e até pessoais de Ricardo Coutinho e o próprio rompimento entre o alcaide da João Pessoa e Ruy Carneiro.

As grandes surpresas

Como um lobo solitário, Nilvan Ferreira entrou na disputa pelo Executivo de João Pessoa na chancela do presidente estadual do MDB, senador José Maranhão. Tratava-se em mera hipótese. Uma chance incomum por ser o emedebista um neófito.

A força e resiliência de Cícero Lucena

Do outro lado das cordas que impedem os lutadores de caírem do local de combate, Cícero Lucena, que estufou o peito, saiu do PSDB, partido que estava filiado desde 2002, migrando para o PP, e aceitando o desafio de concorrer ao pleito da Capital na qualidade de prefeito.

Como diria o jargão popular, Cícero Lucena “comeu o pão que o diabo amassou”. Em julho de 2005, Lucena teve a prisão decretada e foi detido pela Operação Confraria da Polícia Federal. Após 15 anos foi provada sua inocência e resolveu sair do cenário político.

Foi posto na “geladeira” do seu antigo ninho, o PSDB, saindo da vida pública por, talvez, certo desgosto. Mas na sua resiliência e vários aspectos que de certa forma o afastavam do seu exílio político, retornou. Foi o mais votado no primeiro turno, obtendo 20% contra 16% destinados a Nilvan Ferreira dos votos válidos

E o “caboclinho”, como é conhecido em João Pessoa por sua simpatia e simplicidade, enfrentou todas as adversidades relativas à política, mas sempre liderou todas as pesquisas de intenção de votos, o que foi consumado. Além desses aspectos, reconstruiu sua “teia política” e hoje irá para o segundo turno das eleições de João Pessoa com Nilvan Ferreira. O resultado de quem irá vencer é difícil.

Mas Lucena tem uma vantagem sobre seu valoroso oponente: por duas gestões consecutivas administrou bem João Pessoa, tem o apoio do governador João Azevêdo (Cidadania), do vice-presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Felipe Leitão e do seu pai, eleito vereador da Capital neste pleito, Mikika Leitão.

Na terça-feira (17) recebeu o apoio do Solidariedade – Leia-se Manoel Júnior e João Almeida – e do PSL de Julian Lemos. Não é pouco.

E no final, será o povo e a bela democracia que irão escolher seu futuro mandatário ao longo de quatro anos. Mas a arte da política é como a arte da guerra. Vence quem melhor conhece o inimigo; ou adversário. Já diria Sun Tzu.

 

 
 

Por Eliabe Castor

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