O dia amanheceu “sonolento” para a minha pessoa. Acordei mais tarde, confesso, pois ontem uma persistente insônia atacou, digamos, o meu ser. Levantei, liguei a televisão em busca de novas informações sobre o novo coronavírus, chequei emails e, claro, sites de notícias e WhatsApp.

E nesse novelo enrolado de informações e fake news, busquei filtrar o que julguei ser real e irreal. Em período de quarentena tenho mais tempo para averiguar as notícias de forma mais criteriosa sem os atropelos normais do dia a dia. Como disse, chequei uma a uma o que chegou à minha pessoa.

Uma leitura rápida naquilo “descartável”, mais atenção no que julgava importante, até observar uma mensagem vinda de um grande amigo. Nela, a possível reutilização de máscaras para os profissionais da saúde que atuam na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cruz das Armas.

Aquela informação, enviada por uma fonte segura, enfatizava quase como certa o que na hora julguei um crime contra a sociedade. Pois bem: liguei de imediato para meu chefe. Deixei-lhe ciente da informação recebida, e ele, muito criterioso, indagou-me se gostaria de ir até a citada UPA averiguar o caso. Disse que sim com a mais pura certeza.

O aplicativo foi solicitado. Entrei, e com educação pedi ao motorista que desligasse o ar-condicionado e abrisse os vidros. E assim fui contrariado pensando nas máscaras reutilizadas. Não gostaria de encontrar o que a fonte repassou para mim. Observei ruas com pouca movimentação de veículos e pedestres, limitando-me a dizer sim ou não ao motorista, pois meu foco era a UPA e a possível irregularidade.

Quinze ou vinte minutos. Foi o tempo do percurso até chegar ao objetivo. Não se tratava do desejo de denuncismo e, sim, o dever da profissão em investigar. E assim cheguei na Unidade de Cruz das Armas. Entrei e logo observei uma enfermeira distribuindo máscaras para os que lá estavam averiguando a pressão arterial e medindo a temperatura do corpo.

E ali fiquei por alguns minutos buscando uma estratégia para saber se, de fato, máscaras especiais destinadas aos profissionais de saúde estavam sendo reutilizadas. Mas como faria uma pergunta tão desconfortante para alguém que estava naquele local trabalhando e atendendo pessoas enfermas, havendo a possibilidade de alguém estar acometido pelo covide-19?

Regulei meu plano e decidi verificar minha pressão arterial. E fui conversando com a enfermeira que estava devidamente protegida por trás de um birô. Luvas, máscara e um tipo de jaleco fino com mangas longas isolavam boa parte do seu corpo. Observei a limpeza do ambiente e a pouca quantidade de usuários no serviço.

O diálogo foi prazeroso. Educada, ofereceu-me álcool em gel, informou que, caso desejasse, ela forneceria uma máscara descartável para a minha pessoa. Ainda desconfiado, indaguei se estava faltando insumos ou alguma peça de proteção para os servidores daquela unidade de saúde. Então ela disse: “Graças a Deus, não. Nada está faltando!”. E assim descobri que a informação recebida anteriormente foi um equívoco. Não uma fake news, mas um equívoco.

Confesso ter saído da UPA Cruz das Armas aliviado. Não gostaria de dar más notícias a uma população que enfrenta um estresse que, sem dúvida alguma, vai aumentar com a propagação de um vírus que não tem cura, remédio ou tratamento; pelo menos por enquanto.

E nesse relato, parabenizo o prefeito Luciano Cartaxo, o secretário de Saúde de João Pessoa, Adalberto Fulgêncio e toda a equipe da pasta. Tudo estava na mais perfeita ordem. Todos os preceitos recomendados pelos órgãos que estão lutando contra a pandemia estavam (e estão) sendo atendidos pelo poder Executivo da Capital. Quando o trabalho merece reconhecimento, é preciso parabenizar. E quando a crítica é necessária, ela se fará presente.

Como disse, é sempre bom escrever algo positivo para a sociedade, principalmente em tempos difíceis como os da atualidade. Tempos de incertezas, medos e dúvidas em relação a um vírus que colocou de joelhos a chamada sociedade moderna.

Em tempo, no período que estive na UPA de Cruz das Armas, em nenhum momento informei que era jornalista, justamente para não haver possíveis “simulações” dos funcionários. Apenas sentei na recepção e observei. Não havia “teatro”, só a verdade.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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