Por Eliabe Castor

Existem dias que me lembro dos amigos de infância, adolescência, da fase adulta. Os que já partiram; os que permanecem neste plano, e outros que, mesmo pulsando, não mais os vi por razões naturais. Razões próprias da vida.

Uma mudança de endereço, de prioridades, mas que sempre estarão presentes, de forma poética, no meu coração, e científica, no meu cérebro, pois as boas lembranças, e até pequenos atritos, são guardados no infinito da memória de forma carinhosa.

E hoje? Bem hoje não vou formular comentários sobre política, os peixes que surgiram mortos na Lagoa do Parque Solón de Lucena, do dedão de Ney Suassuna, na problemática da vacina. Darei um tempo hoje para homenagear a vida, e muito mais que isso, uma homenagem à amizade que há duas décadas existe.

Falo da minha amizade com o colega de profissão e amigo Wellington Farias. Sábio, paciente, multimídia. Apaixonado por sua Heloise Elena, amante da boa literatura, vibrante no que se refere à cultura de forma geral, “louco de pedra” por sua cadela, a estimada Lola.

Um humanista bem “matuto” da bela Serraria. Pois é! O “velho” Farias é isso e muito mais. Sempre dando dicas nas redes sociais sobre boas leituras, bons livros etc. É um daqueles cabras que, observando certo grau de amargura no semblante do próximo ou mesmo na voz, chama para conversar e dizer, com largo sorriso, que a vida é bela. Um Roberto Benigni paraibano.

Para os mais próximos, Wellington Farias é o amado “Fodinha” por sua baixa estatura. Contudo, pequeno em tamanho, mostra-se um gigante de coração. É aquela cara que o rei Roberto Carlos descreveu. Um amigo de fé, irmão e camarada.

Eu tive e tenho a honra de trabalhar com Farias. Claro, nesse período de pandemia, nos falamos pelas redes sociais. Discutimos sobre política, concordamos, discordamos. As frivolidades também estão em nossas conversas. Na pauta do dia muitos assuntos são paridos. O cidadão é um nobre.

E digo mais! Um nobre corajoso por enfrentar uma longa batalha contra o câncer sempre sorrindo. Dando-nos forças. Esse é o mestre Farias. O mestre que toca instrumentos musicais, assim como toca o meu coração, dos seus alunos – em sua maioria carentes- e no de tantos outros.

Por fim, sempre uma brandura na sua essência divina. Vi há pouco uma postagem no seu Instagram, cujas lágrimas de emoção e felicidade formataram esse simples texto, mas recheado de amor.

Sobre um leito de vida, escreveu o amigo: “Fico aqui matutando: ‘O que seria de nós, desprovidos de plano de saúde, não fosse o Hospital Napoleão Laureano?! Terceira sessão de quimioterapia, tratamento acolhedor que nos conforta muito. Mais um passo importante para a última fase do tratamento’’.

Então, pouco tenho a dizer Wellington Farias. És um ser, ser HUMANO. Como Dom Quixote e seus moinhos de vento, louco és! Louco pela vida, louco por cultivar as amizades, louco pelo jornalismo, música, literatura, teatro. Louco pelo que faz bem a ti e ao próximo.

Louco por seres como a “Balada do Louco” dos Mutantes. De Ney Matogrosso e sua bela voz. Então Farias és isso, poema escrito para pessoas como você: “Dizem que sou louco por pensar assim. Se eu sou muito louco por eu ser feliz. Mas louco é quem me diz. E não é feliz, não é feliz”. Você é feliz e torna todos do seu convívio da mesma forma. Loucos felizes!

Obrigado!

Por Eliabe Castor

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