Por Eliabe Castor
Foto: Adriano Machado / Reuters

Em meio a uma crise sanitária, política e econômica pressionando a sua gestão — inclusive com uma barulhenta CPI investigando os erros cometidos na pandemia — Jair Bolsonaro (sem partido) mostra mais uma vez sua impressionante resiliência eleitoral.

Mesmo durante a tempestade o “mito” consegue manter seu capital eleitoral de maneira quase incólume. E aqui falo do chamado “bolsonarista raiz”. Aquele que faz tatuagem no corpo com o rosto do ex-capitão do Exército – que, aliás, desmoralizou a instituição no “caso Pazuello”.

É claro! Bolsonaro não contará com os votos de protesto recebidos nas eleições passadas e que o colocaram na qualidade de presidente da República. Sua aceitação popular caiu de forma vertiginosa, e seu arqui-inimigo – leia-se o ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está elegível, e certamente é o único com chances reais de vencê-lo nas eleições presidenciais de 2022.

Porém, apenas Lula e o próprio Partido dos Trabalhadores não conseguirão ter êxito caso a esquerda, centro-esquerda e até a direita insatisfeita com as peripécias mortais de Bolsonaro não costurarem uma aliança sólida. Observo, então, não ser momento para vaidades e, sim, uma união oposicionista ferrenha e combativa.

Pesquisas apontam um possível segundo turno envolvendo Lula e Bolsonaro, e havendo o tal, os que estão no páreo para disputar a presidência, como Ciro Gomes (PDT) e o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), precisam se alinhar em uma frente ampla de oposição ao atual inquilino do Palácio do Planalto; caso contrário o ex-capitão poderá “aniquilar” todos.

Bolsonaro e a máquina

Não é pouco! Jair Bolsonaro tem a máquina federal ao seu dispor. Bilhões de reais para o fisiologismo, uma militância fanática que beira a loucura, um discurso extremista que agrada seus eleitores, uma estrutura massiva, apaixonada e até agressiva nas redes sociais. Parte das Forças Armadas blindando seus devaneios, o Congresso – Leia-se “Centrão” está a seu bel-prazer até os cofres públicos secarem.

Ainda há o auxílio emergencial que põe na boca do povo pão e até circo, e o famigerado “gabinete do mal” que coloca ou derruba ministros e outras “patentes” inferiores caso discordem ou concordem com ala ideológica do presidente. O mundo inteiro sabe de tal fato. E o mais interessante: para cada três brasileiros, um está fielmente a favor das políticas públicas implementadas pelo governo federal.

Por esses aspectos, singularidades e fetiches que partem da cabeça de Bolsonaro, tem, ele, diversas cartas nas mangas. Ele sabe do seu poder. Entende quando recuar para depois atacar.

Curiosamente o presidente brasileiro de extrema direita segue a máxima de um expoente comunista da extinta União Soviética. Falo de Vladimir Lenin, que imortalizou a frase: “Dar um passo para trás para dar dois à frente”. É o que Bolsonaro faz de melhor.

E de ogro o ex-capitão não tem nada. Todos os seus passos são calculados por ele e sua fiel assessoria de forma milimétrica.

Por Eliabe Castor

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