Fotos: Evaristo Sá/Léo Pinheiro

O extremismo político que se instalou como horda beligerante no Brasil é uma reação de puro desequilíbrio social que, em ponto de vista bem particular, beira a loucura. Hoje observamos famílias desagregadas, amizades fragmentadas; atos mil de violência física e desrespeito completo pelo contraditório. Estamos no país da “vigilância” estúpida de uma direita manca e uma esquerda enfurecida por estar longe do poder.

E nessa introdução, entendendo que entro em campo minado, cuja intenção de tal artigo, mesmo quase inócua para alguns, é lançar um pouco de luz a uma problemática que merece complexas reflexões, estudos e ações moderadas e eficazes para tentar colocar no cérebro dos extremistas que o diálogo é a saída mais lógica para dirimir querelas, minimizar crises e entender que o diferente existe.

Mas o extremismo não “pensa” com o cérebro e, sim, com o fígado, numa voracidade de vingança ilógica que atinge toda uma sociedade. Na última quinta-feira, por exemplo, escrevi no portal PB Agora, espaço que tenho coluna diária. Nele, abordei os avanços fiscais e econômicos que a Paraíba vem impondo, muito em parte vindos dos governos socialistas que estão à frente do Executivo paraibano desde 2010.

O mote da análise era econômico. Aliás, é, contudo, pelo simples fato do título escrito ser: “PB recebe Ferreira Costa, grupo Havan e deve gerar mais de 1,3 mil empregos para fazer a economia girar”, padeci de ataques deselegantes. De repente meu WhatsApp foi bombardeado por uma vilania super e odiosa.

E agora revelo o motivo central dessa onda de ofensas. Os extremistas (e aí não faço distinção se têm pensamentos ideológicos de esquerda ou direita) não leram a matéria. Ficaram presos na palavra HAVAN como os pobres seres da “A Alegoria da Caverna”, apresentada pelo filósofo grego Platão. Preferiram ficar “acorrentados”, acreditando em sombras, não numa realidade palpável e mundo real.

As agressões, confesso, não me desestabilizaram emocionalmente. Ao contrário, aguçaram meu desejo de pesquisar como pessoas de bom esclarecimento intelectual e supostamente gentis podem estar imersas numa histeria coletiva muito similar a “cataclismos” históricos, a exemplo da Alemanha nazista ou comunismo tirano da ex-União Soviética, cujas figuras de Hitler e Stalin arrasaram suas nações utilizando o ódio, ou extremismo ideológico, como âncora estabilizadora para seus desejos sóbrios.

Os extremistas têm problemas para perceber que estão errados

Em matéria primorosa publicada no Jornal El País e assinada pelo jornalista Javier Salas em 21 de janeiro deste ano, diz o colega, muito bem fundamentado cientificamente, que “Toda pessoa que já discutiu sobre política sabe que é quase impossível convencer alguém de que está enganado, principalmente em questões ideológicas. Mas essa possibilidade existe, embora seja pequena. Já quando se trata de extremistas, essa possibilidade é quase nula”.

E segue Salas apontando estudos de renomados cientistas, de grandes universidades, voltados ao estudo desse fenômeno social que não atinge apenas o Brasil. Steve Fleming, neurocientista da University College de Londres, desenvolveu uma pesquisa para comprovar se as pessoas de extrema esquerda e de extrema direita sempre têm mais confiança em suas próprias opiniões ou se o problema é que têm dificuldade em perceber que se enganaram.

Constatação do estudioso e sua equipe: “Descobrimos que as pessoas com crenças políticas radicais têm uma metacognição pior do que aquelas que com pontos de vista mais moderados. Muitas vezes, elas têm uma certeza errônea e resistem a mudar suas crenças diante da evidência”.

José Manuel Sabucedo, catedrático da Universidade de Santiago de Compostela, trabalhou com base nessa mesma ideia para saber se acreditar ser dono da verdade era uma boa forma de prever o radicalismo político. Conclusão de Sabucedo: “Descobrimos que o monopólio da verdade é um bom indicador de futuras atitudes extremistas, o que permite intervir em relação àqueles que se acreditam no direito e na obrigação de impô-la aos demais”.

A ascensão do extremismo político na era das redes sociais: uma breve reflexão sobre o futuro do direito

Esse é o título do artigo científico de Luis Antonio Gonçalves Pires, pós-graduado em Advocacia Pública pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Pós-graduado em Direito Fiscal pela Pontifícia Universidade Católica – PUC-RJ.

Em certa parte da análise, que pode ser encontrada no site JUS. COM.BR revela o estudioso: “Averiguou-se que não apenas crises de ordem econômica conduzem ao recrudescimento de radicalismos políticos, mas que, além do caos econômico, existirão outros fatores contributivos, tal como a existência de fragilidade no sistema de representação política de um país”.

Noutro momento é observado o seguinte fenômeno muito empregado pelos extremistas nas redes sociais ao longo das eleições de 2018. ” Assim, verifica-se que “robôs maliciosos” tem sido utilizado indevidamente para fomentar debates artificializados e polarizados, atuando na divulgação de fake news”.

O perigo do alinhamento ideológico extremista para a sociedade

A revista Galileu corrobora com robustez o que vem sendo exposto neste artigo. Em brilhante reportagem, dotada das mais variadas fontes, estando aí sociólogos, antropólogos, psicólogos, psiquiatras de outras áreas voltadas à análise do estudo humano e como ele se comporta em grupos extremistas, os resultados são aterradores.

Aqui cita a Galileu situações da mais pura barbárie em nome da religião ou opção política por extremistas

1099 – CERCO DE JERUSALÉM> Exércitos cristãos da Europa iniciaram a tomada de Jerusalém, que culminou com o massacre de muçulmanos, judeus e cristãos ortodoxos.

1478 – INQUISIÇÃO ESPANHOLA > O Tribunal do Santo Ofício da Inquisição foi criado para combater muçulmanos que dominavam parte da Espanha. Milhares de pessoas de outras religiões foram mortas sob a supervisão da Igreja católica.

1572 – NOITE DE SÃO BARTOLOMEU > Organizados pela monarquia católica francesa, cristãos protestantes foram mortos durante a madrugada do dia 24 de agosto.

1792 – TERROR JACOBINO > Mais de 17 mil opositores políticos foram guilhotinados por ordem do grupo jacobino que liderava a Revolução Francesa.

1871 – O FIM DA COMUNA DE PARIS> Primeiro governo operário da história, a Comuna de Paris foi dissolvida após um massacre que resultou em prisão, tortura e morte de quase 100 mil trabalhadores.

1936 – PROCESSOS DE MOSCOU> Para manter a hegemonia no Partido Comunista da União Soviética, Josef Stálin inicia a perseguição e o fuzilamento de antigos camaradas contrários a suas decisões políticas.

1938 – NOITE DOS CRISTAIS > O governo nazista instaura uma política de prisão, assassinato e destruição de propriedades de judeus, sob a coordenação das tropas de assalto do exército alemão.

1965 – GOLPE DE ESTADO NA INDONÉSIA > Após a tomada do poder pelo general Suharto, o Partido Comunista da Indonésia foi extinto depois do massacre de quase meio milhão de militantes.

1975 – O KHMER VERMELHO > O regime comunista liderado por Pol Pot obrigou os moradores das cidades do Camboja a migrar para o campo, fazendo cerca de 1,5 milhão de vítimas.

2001 – 11 DE SETEMBRO > A organização terrorista Al-Qaeda, alegando agir em nome da religião islâmica, realiza o maior atentado da história em solo norte-americano, causando a morte de 2996 pessoas.

2014 – ESTADO ISLÂMICO > Grupo fundamentalista proclama a independência de regiões da Síria e do Iraque, as quais passariam a ser regidas por sua própria interpretação da lei sagrada islâmica.

E por último uma pergunta que não deveria ser feita, só pelo próprio absurdo de tal. Vale a pena o extremismo? E aqui não só o político ou religioso. Mas todas as formas de intolerância.

Em tempo, observo muitos, milhares, milhões pregando ideiais democráticos de Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Ordem e Progresso. Mas discorde de algum extremista que essas belas palavras se tornarão puro ódio.

Eliabe Castor
PB Agora

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