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Open Delivery – Talvez a saída para quem ganha com entregas

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O imenso crescimento no mercado de delivery nos últimos anos – mas de modo especial em 2020, quando muitos estabelecimentos se viram obrigados a adotar a modalidade de venda – não foi acompanhado até agora por uma melhora no ambiente de negócios.

Com a competição crescendo no lado dos comerciantes, a concentração de poder nas mãos de um número pequeno de aplicativos de entrega ficou ainda mais evidente. Para tentar se destacar ou conseguir alguma mínima vantagem competitiva, os empresários pagam altas taxas para estar nos aplicativos mais populares (muitas vezes até fechando contratos de exclusividade).

Além disso, têm de preparar as informações (cardápio, preços, promoções) para o delivery no padrão exigido por cada aplicativo, limitando sua capacidade de entrar e operar a um só tempo em várias plataformas. Em paralelo, isso cria uma barreira a novos entrantes, como startups e mesmo outras empresas grandes de e-commerce, diminuindo a competição. Assim se cria um ambiente tóxico ao empreendedorismo, à produtividade e à inovação.

E tanto os bares e restaurantes como seus clientes e, por fim, toda a sociedade, pagam a conta.

Para quebrar essas correntes, a Abrasel se uniu a diversos parceiros no intuito de projetar uma solução aberta, democrática, transparente e produtiva, que promete trazer liberdade de escolha aos bares e restaurantes na hora de se conectar a uma plataforma de delivery (ou decidir construir e usar seus próprios canais), além de outros atores envolvidos no processo, como as empresas de logística e os meios de pagamento.

Este ambiente, chamado Open Delivery, irá uniformizar todas as informações dos restaurantes (endereço e horários, cardápio, preços, promoções, prazos de preparação e muitos outros), permitindo uma negociação e uma conexão fácil com qualquer canal. Não se trata de uma plataforma, e sim um sistema open source (de código aberto) ao qual, de um lado, estão conectados os estabelecimentos.

E, de outro, aplicativos e plataformas de venda, gestão, comunicação, pesquisa e avaliação de restaurantes, logística, pagamentos e outras que possam surgir trazendo novos serviços. “O Open Delivery vai facilitar o acesso a novos entrantes no mercado de entrega e cria um ambiente de inovação na medida em que facilita a vida do dono do bar ou restaurantes”, explica o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.

“É uma solução que uniformiza as informações, poupa tempo e facilita a conexão dos estabelecimentos a plataformas, além de organizar a relação entre players de logística, tecnologia, pagamentos. Isso traz mais competição e, portanto, mais produtividade e eficiência para o delivery. Uma solução democrática e inclusiva”, completa Solmucci.

Vantagens que o Open Delivery traz para bares e restaurantes de todo o País

Facilidade de conexão

Pense na internet. Ela tem uma arquitetura complexa, mas com regras claras de conexão entre os computadores, que são as mesmas para todo o planeta. Na mesma medida, o Open Delivery pretende criar uma mesma “linguagem” para a conexão do estabelecimento a diversas plataformas, facilitando a vida do dono do bar ou restaurante, qualquer que seja o porte – do pipoqueiro da esquina a grandes cadeias de fast food.

Do mesmo modo, os dados do restaurante também são uniformizados, facilitando a gestão e o controle por parte do estabelecimento, o que hoje é uma dor de cabeça enorme. E permitindo que os fornecedores – das plataformas de delivery a empresas de motoboy – façam propostas comerciais e integrem o restaurante de maneira muito mais fácil.

Mais visibilidade para os restaurantes

O Open Delivery também deve facilitar a presença do restaurante nos serviços de busca de restaurantes na internet, tornando os estabelecimentos mais visíveis a todos os clientes. Isso também possibilita uma melhor administração da presença digital e do estabelecimento de uma estratégia multicanal. Mesmo plataformas locais, ou startups, poderão de modo fácil encontrar e fazer propostas de conexão aos restaurantes.

E quem decidir usar canais próprios, como aplicativos white label (aplicativos prontos que são customizados para um estabelecimento) fará isso de modo muito mais tranquilo. Tudo isso aumenta o alcance e a visibilidade.

Gestão à vista

Com menos trabalho (e, muitas vezes, menos equipe) para cadastrar e controlar as informações em diversos canais ao mesmo tempo, se tornará mais eficiente e ágil o trabalho de implantar e controlar promoções, ou monitorar o resultado delas. O mesmo vale para outras mudanças, como a inserção de novos itens no cardápio ou alterações na logística de entrega.

Além disso, por ser uma solução criada por brasileiros para brasileiros, o Open Delivery irá permitir que o restaurante crie itens e promoções que hoje se mostram impossíveis – ou demandam um bocado de trabalho – em diversas plataformas. Um exemplo é a pizza de dois ou mais sabores, uma mania nacional que ainda hoje em muitas plataformas simplesmente não pode ser ofertada.

Logística mais fácil

As operações de entrega são outro grande nó do setor. Nos bares e restaurantes, que pela natureza do serviço necessitam de entrega rápida para não comprometer a qualidade da refeição até que esta chegue às mãos do consumidor, o problema fica ainda mais grave: a concentração de mercado em poucos aplicativos deixa pouca margem de manobra, principalmente em momentos de alta demanda. O Open Delivery deve permitir uma conexão direta, mais fácil e rápida, dos restaurantes com as empresas de logística de todos os portes.

Taxas menores

Com mais concorrência, os preços cobrados pelas plataformas tendem a cair. Simples assim. Essa é uma das grandes vantagens da liberdade de escolha. O Open Delivery abre uma porta para que existam novos entrantes disputando o serviço de vendas, de logística, de pagamentos. E traz de volta o poder para a mão de quem produz – no caso, os bares e restaurantes. Além disso, cria um ambiente de inovação que, ao longo do tempo, irá beneficiar a todos.

Não à toa, o serviço é resultado da união Abrasel e de diversas outras entidades e empresas, que se juntam pelo bem de quem empreende, produz e cria. Em benefício dos mais de 1 milhão de estabelecimentos do setor e de todos os seus clientes. Ou seja, em benefício do Brasil.

Mercado disputado

A concentração de mercado cria disputas entre os próprios aplicativos de entrega. Segundo a imprensa, o Rappi entrou com uma ação contra o iFood no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), acusando o rival de adotar medidas que impedem os concorrentes de ganhar mercado. Pelas informações, a alegação é de que o iFood usa sua posição de dominância no mercado para estabelecer contratos de exclusividade ou dificultar de outras maneiras a livre adesão de restaurantes a outras plataformas de delivery.

Todo mundo vai aderir?

Provavelmente não, principalmente porque o sistema não é obrigatório. Para Bianchini, os principais players do mercado de delivery (iFood, Rappi e Uber Eats) não têm motivos para se interessar pela tecnologia, já que consolidaram suas marcas e têm um público cativo.

“Os grandes, principalmente Uber e iFood, não devem ter interesse na solução. O iFood, por exemplo, lançou recentemente uma API nova e vai investir tempo e recurso nela. No final do dia, vamos ficar com três ou quatro grandes players de tecnologia, os principais que já existem mais o open delivery”, afirma Marcelo Bianchini, diretor de produtos e negócios da E-Deploy.

“É uma quebra de barreiras tecnológicas, mas não creio que vai ser todo o mercado que vai migrar 100% para isso”, afirma Bianchini.

Com informações da ABRASEL e 6minutos
Foto de Capa por FreePik

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