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É difícil compreender como cristãos podem defender uma visão de Estado dominador, poderoso e interventor. Ou quando normalizam a concentração de poderes nas mãos de algumas poucas autoridades públicas.
A Bíblia, de fato, legitima o poder do Estado para coibir o mal (Rm 13:1-7), mas ao mesmo tempo adverte com extrema severidade sobre a corrupção e perigo do poder político.
O apóstolo Paulo e Silas se opuseram ao autoritarismo do governo civil em um episódio de prisão arbitrária, chegando a protestar e pedir por justiça (Atos 16:35-39).
Por sua vez, o apóstolo João, em uma visão sinistra e enigmática, relata que viu “uma mulher montada numa besta vermelha” (Ap 17:3). A mulher é identificada como “a grande cidade que reina sobre os reis da terra” (v. 18). A besta é identificada como um “rei” (v. 11) que recebe, de outras autoridades políticas, poder para governar (v. 17).
A mulher tinha uma inscrição na testa que remetia ao império babilônico (v. 5). No capítulo seguinte, um anjo celebra a queda da Babilônia, que entorpecera e prostituíra nações e reis da terra (Ap 18:2-3). A visão do apóstolo João sugere que o poder político é intrinsecamente corrompido pelo pecado e destinado à queda.
Como pode, então, cristãos defenderem uma visão de Estado poderoso, interventor e dominador, principalmente quando o poder é concentrado nas mãos de alguns? Quando foi que perdemos a visão dos efeitos do pecado sobre o poder político?
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