O nível do mar deve invadir a orla entre as praias de Cabo Branco e Manaíra, em João Pessoa, até 2050, e o setor imobiliário da capital deve ter prejuízos em mais de R$ 1 bilhão. Esse foi um dos levantamentos apontados na manhã de ontem, pelo professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Manoel Gomes Filho, doutor em Recursos Naturais, dentro da 8ª Reunião de Análise e Previsão Climática para o Nordeste do Brasil – Ano 2009 e do 1º Fórum Paraibano Sobre Mudanças Climáticas. Os eventos começaram ontem e acontecem até hoje no auditório da Unidade Acadêmica de Ciências Atmosféricas da UFCG, campus de Campina Grande.
Segundo o professor, as causas do avanço do mar são referentes ao aquecimento das águas do Oceano Atlântico. “A região próxima à costa do Nordeste está mais quente e isso tem causado um fortalecimento dos ventos, que, por conseguinte, vão puxando a água do centro do oceano e a acumula na costa do Nordeste, o que eleva o nível do mar”, ressaltou. Segundo ele, João Pessoa já vem sofrendo com o avanço das águas. “Há cerca de 30 anos, a capital paraibana sente o avanço das águas, a exemplo dos donos de barracas nas proximidades das praias, bem como a queda de parte das falésias do Cabo Branco. Porém, isso deve aumentar consideravelmente nas próximas décadas”, ressaltou.
O setor imobiliário será o mais prejudicado. “As nossas pesquisas apontam que o setor imobiliário de João Pessoa vai perder os prédios e casas que já estão construídas na orla, o que provocará um prejuízo maior que R$ 1 bilhão”, frisou. Os rios também sofrerão com a elevação do nível das águas. “A Paraíba possui vários rios que deságuam no mar, só que com o aumento do nível das águas, eles não terão forças para desaguarem, o que deve provocar inundações nas comunidades ribeirinhas”, destacou o professor.
Segundo a cantora Eleonora Falcone, residente da Praça Santo Antônio, bairro de Tambaú, a cerca de 100 metros da praia, a comunidade tem que se adaptar. “Que o mar está avançando já é notório em algumas ressacas que podemos ver. Além disso, a natureza é soberana e nós não temos nada a lutar contra isso”, ressaltou.
Para o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado da Paraíba (Creci), Rômulo Soares, a situação deve ser resolvida com medidas tecnológicas. “A tendência será a união do empresariado com os pesquisadores para evitar essa catástrofe. O mercado imobiliário deve investir na forma preventiva a esses efeitos, utilizando principalmente as novas tecnologias, afinal ninguém vai investir em um espaço que será coberto pelo mar”, frisou.
Jornal da Paraíba
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