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Lula: depois do Carnaval, é hora de voltar à realidade!

O Brasil não vive apenas de samba e de enredos na avenida. O Carnaval projeta uma imagem de alegria ao mundo, mas a manhã seguinte sempre exige responsabilidade. E a “manhã seguinte” do Brasil já dura tempo demais.

A Quarta-feira de Cinzas representa mais do que o fim da festa. Para muitos brasileiros, simboliza o retorno às dificuldades cotidianas: pressão inflacionária, serviços públicos fragilizados, insegurança e crescente desconfiança nas instituições. A celebração tem seu lugar em qualquer democracia. Governar, porém, exige algo menos festivo: foco, disciplina e resultados concretos.

Não há problema algum em um presidente da República prestigiar o Carnaval como cidadão, desde que essa celebração não fira seus princípios morais e religiosos, embora, para algumas camadas da sociedade, o Carnaval, sim, represente afronta a tais valores. A conexão com a cultura popular pode até simbolizar unidade nacional. Contudo, simbolismo não substitui ação estrutural. Por trás das luzes do sambódromo, onde camarotes oferecem uísque importado e iguarias sofisticadas, milhões de brasileiros enfrentam hospitais superlotados, escolas em dificuldades, infraestrutura deteriorada e mobilidade econômica limitada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou ao cargo prometendo estabilidade, reconstrução institucional e equilíbrio social após anos de polarização intensa. Entretanto, controvérsias recorrentes e desafios de governança têm ofuscado parte dessa agenda. Para observadores internacionais, o Brasil continua sendo a maior democracia da América Latina e uma potência emergente relevante. Internamente, porém, cresce a pergunta: o governo está enfrentando com clareza e urgência as prioridades reais do país?

Este não é um argumento partidário. Não se trata de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, tampouco de fidelidade cega a qualquer grupo político. Trata-se de um sentimento mais amplo de fadiga social. Escândalos, incertezas fiscais e disputas políticas dominam o noticiário, enquanto reformas estruturais avançam lentamente.

Para quem observa o Brasil de fora, é preciso compreender: o país possui enorme potencial econômico, recursos naturais abundantes, agricultura forte, base industrial relevante e um mercado interno expressivo. O que frequentemente o limita não é a falta de oportunidades, mas a inconsistência na execução e as ineficiências históricas da gestão pública.

As comparações com o período turbulento do governo Dilma Rousseff inevitavelmente reaparecem no debate público, anos marcados por recessão econômica e instabilidade política. Justas ou não, tais comparações soam como alerta: a paciência do eleitor não é infinita.

O brasileiro é pragmático. Premia resultados e penaliza a estagnação. À medida que o próximo ciclo eleitoral se aproxima, a frustração pode silenciosamente se transformar em realinhamento político.

Senhor Presidente, o país não precisa de espetáculo. Precisa de direção. Reúna seus ministros mais competentes. Reafirme a disciplina econômica. Priorize avanços mensuráveis na educação, na saúde, na infraestrutura e na segurança pública. Assuma o controle da narrativa antes que ela passe a controlar o governo.

O Carnaval termina todos os anos. A responsabilidade de governar, não.

Em tempo: a escola de samba que homenageou Lula da Silva foi rebaixada e, como costuma acontecer, surgiram as justificativas de derrota. O Palácio do Planalto apresentou uma explicação tímida, enquanto as redes sociais continuam fervendo com o tema. A direita, que possui forte presença e influência nas plataformas digitais, não perde tempo e amplia o debate. Lula e sua equipe precisam preparar-se para reagir e dar a volta por cima.

Elcio Nunes
Cidadão Brasileiro


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