Esposa do deputado federal Damião Feliciano e mãe do atual ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, Dra. Lígia Feliciano está de volta ao centro do tabuleiro eleitoral da Paraíba.
Campinense, médica formada pela Universidade Federal da Paraíba, Lígia tem especialização em coração e pulmão artificial pelo Instituto do Coração (InCor), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Sua trajetória profissional está ligada especialmente à circulação extracorpórea e à cirurgia cardíaca. Foi diretora do Serviço de Circulação Extracorpórea da Casa de Saúde Dr. Brasileiro e participou do processo pioneiro de implantação da cirurgia cardíaca no interior do Norte e Nordeste do país.
À formação médica, Lígia acrescentou experiência na área de gestão. Fez MBA em Gestão Pública e Liderança pelo Centro de Liderança Pública (CLP), formação que incluiu módulo internacional na Harvard Kennedy School, da Universidade Harvard, em Boston, nos Estados Unidos, onde participou, em 2017, de atividades acadêmicas voltadas à gestão pública e à liderança.
É uma trajetória que combina medicina, administração, formação internacional e experiência política.
Mas sua história há muito ultrapassou os corredores hospitalares.
Lígia Feliciano acumulou oito anos consecutivos na vice-governadoria da Paraíba. Assumiu em 1º de janeiro de 2015, compondo a chapa de Ricardo Coutinho em seu segundo governo. Quatro anos depois, permaneceu no Palácio da Redenção como vice de João Azevêdo, exercendo o segundo mandato até 1º de janeiro de 2023.
Ou seja: Lígia atravessou dois governos, dois momentos políticos e duas composições distintas de poder na Paraíba.
Agora, retorna a uma chapa majoritária, escolhida para ocupar novamente a posição de candidata a vice-governadora, desta vez ao lado de Lucas Ribeiro, do PP, candidato à reeleição.
Uma “lady” no jogo político
Lígia tem um estilo próprio. Tranquila na forma, discreta na exposição e experiente no trato político, dificilmente aparece como personagem de confronto. Talvez exatamente aí esteja uma das razões de sua escolha.
Num cenário em que Campina Grande chega à eleição politicamente mais dividida do que colcha de retalhos, há, porém, uma curiosidade que merece atenção: a Rainha da Borborema está presente, direta ou indiretamente, nas principais chapas que disputam o Governo do Estado.
Lucas Ribeiro foi buscar a campinense Lígia Feliciano.
Cícero Lucena tem como candidato a vice Diogo Cunha Lima, também campinense.
E a chapa de Efraim Filho apresenta Nayana Pontes, esposa do deputado federal Cabo Gilberto, como candidata a vice. Informações disponíveis sobre sua trajetória indicam ligação de origem com Campina Grande e apontam a cidade como seu local de nascimento, embora esse dado biográfico ainda mereça confirmação documental definitiva.
Portanto, Campina Grande pode estar mais dividida politicamente do que colcha de retalhos, mas ninguém parece disposto a abrir mão de um pedaço dela.
A cidade tornou-se uma peça territorial importante na montagem das chapas majoritárias de 2026.
Creio que Lucas Ribeiro e seu grupo tenham considerado alternativas mais distantes de Campina Grande e politicamente mais próximas de João Pessoa. No fim, porém, Lígia apareceu como o bom termo.
Até entre minhas próprias conjecturas, cheguei a imaginar o pastor Sérgio Queiroz como possibilidade para essa posição.
Mas a política tem uma regra antiga: as chapas são montadas olhando não apenas para afinidades ideológicas, mas para território, alianças, estrutura partidária e capacidade de agregar votos.
E Lígia reúne algumas dessas peças.
É sangue político de Campina Grande, conhece a máquina estadual e carrega no currículo a experiência de oito anos na vice-governadoria.
É um excelente nome?
Analisaremos mais adiante.
Por enquanto, o fato político é que a escolha recoloca uma personagem conhecida no centro da disputa estadual.
A partir de 16 de agosto, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral, será pé na estrada para Lígia e companhia. E esta eleição promete exigir fôlego.
Quem largar bem precisará manter o ritmo no meio do caminho para chegar competitivo ao grande peneirão de 4 de outubro.
Senado na Paraíba: vem surpresa por aí?
Na disputa pelo Senado, minha percepção é de que a abertura das urnas em 4 de outubro poderá trazer surpresa na Paraíba.
Há candidato sendo trabalhado silenciosamente nos bastidores, especialmente entre prefeitos, lideranças municipais e setores da classe empresarial.
Não necessariamente é aquele que produz mais barulho neste momento.
Política também se constrói no silêncio.
E há movimentações que, para quem acompanha atentamente o jogo paraibano, começam a ficar perceptíveis.
Tenho a impressão de que uma zebra está para parir na Paraíba.
Quem anda antenado com o jogo político do Estado talvez já tenha percebido de quem estou falando.
E por trás desse candidato existem algumas “cascas grossas” da política.
Vamos observar.
As urnas de 4 de outubro dirão se essa movimentação de bastidores se transformará em votos.
Elcio Nunes
Cidadão Paraibano
