O concurso público da Prefeitura de Campina Grande ganhou um novo capítulo na Justiça e deve ter o cronograma alterado. A desembargadora Maria de Fátima Moraes Bezerra Cavalcanti Maranhão, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), indeferiu o pedido de efeito suspensivo apresentado pelo município e manteve a decisão que determina a inclusão da reserva de 10% das vagas para candidatos negros.
Com a decisão, o edital deverá ser retificado, as inscrições precisarão ser reabertas e o cronograma do concurso terá de ser reorganizado. Na prática, as provas previstas para os dias 29 e 30 de agosto deverão ser adiadas. O certame é organizado pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional (Idecan).
A decisão está relacionada à aplicação da Lei Municipal nº 6.044/2015, que prevê a reserva de vagas para candidatos negros. O município havia argumentado que a legislação teria perdido a validade após o período de dez anos previsto na própria norma.
Segundo análise do professor e advogado Flávio Britto, esse entendimento não foi acolhido pela Justiça. Para ele, o prazo estabelecido na legislação não significa a extinção automática da política de cotas, mas representa um marco para avaliação de seus efeitos.
“A relatora fundamentou que a tese do município de Campina é muito equivocada. Para o município, o fato de expirar aquele prazo de 10 anos de vigência que tem na lei significaria que a lei se tornaria inexistente. Mas o STF já tinha fixado uma orientação interpretativa de que esse decurso de prazo temporal constante em lei de cotas não significa a extinção da lei”, explicou.
Ainda de acordo com o advogado, a manutenção da decisão busca evitar problemas jurídicos futuros no concurso.
“A não previsão da reserva de vagas poderia macular o concurso e trazer nulidades. E justamente para evitar isso, a relatora indeferiu o pedido do município e manteve a decisão liminar anterior”, afirmou.
O que muda para os candidatos
Com a decisão, a Prefeitura de Campina Grande e o Idecan deverão promover as alterações determinadas pela Justiça antes da realização das provas. Entre as medidas estão a retificação do edital, a inclusão da reserva de 10% das vagas para candidatos negros, a reabertura das inscrições e a elaboração de um novo cronograma.
O adiamento atinge diretamente milhares de candidatos. O concurso da Prefeitura, junto com o certame da Superintendência de Trânsito e Transportes Públicos (STTP), teve mais de 80 mil inscrições homologadas, segundo dados divulgados pelo Idecan.
A expectativa agora é que a banca organizadora publique oficialmente as novas orientações aos candidatos e informe a nova data das provas.
Apesar da alteração no cronograma, a decisão não encerra o concurso. A seleção deverá prosseguir após o cumprimento das determinações judiciais e a adequação do edital.
Redação
