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Incra quer explicações por abusos em Pocinhos

Após denúncias de tortura contra dois sem-terra e o desaparecimento de cinco pessoas de acampamento, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) na Paraíba solicitou que a Secretaria da Segurança informe se houve autorização para policiais militares entrarem em terra invadida, em Pocinhos (168 km de João Pessoa), no sábado.

A secretaria informou que a Polícia Militar foi acionada para conter tentativa de invasão do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Houve confronto e sete sem-terra foram detidos. Dois ainda estão presos, mas a secretaria não soube informar em que crimes podem ser enquadrados.

Segundo o MST, na madrugada de sábado, 60 famílias do movimento invadiram a fazenda Cabeça de Boi. Quando estavam montando acampamento, pistoleiros começaram a atirar contra eles e a atear fogo em um carro e em colchonetes.

Ainda de acordo com o MST, a PM chegou ao local atirando e ordenando o despejo, sem mandado judicial.

O ouvidor agrário do Incra no Estado, Cleofas Caju, conversou com os sem-terra presos, que disseram terem sido torturados antes de serem levados à delegacia.

“Os dois apresentam hematomas, deformação no rosto, queimaduras no corpo e andam com dificuldade. Eles contaram que ficaram em poder dos agressores por cerca de seis horas e só depois foram levados à delegacia”, disse Caju.

Depois da ação, o MST informou que cinco integrantes estão desaparecidos. Segundo o secretário da Segurança, Gustavo Gominho, a PM foi acionada para conter uma tentativa de invasão. De acordo com auto de flagrante, lido pelo secretário à reportagem, os policiais foram recebidos a tiros por cerca de 30 pessoas, que incendiaram um veículo, que impedia a passagem da polícia.

“Vamos investigar as possibilidades. Eles [sem-terra] podem ter sido espancados, mas não sabemos por quem.”

Segundo o Incra, a propriedade foi destinada à reforma agrária em dezembro. O MST informou que a invadiu para acelerar a desapropriação.

Folha

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