Durante sessão especial realizada nesta quinta-feira (11), na CMJP, professores, servidores e alunos da instituição discutiram sobre a paralisação das atividades. Bira (PSB), autor da propositura, comprometeu-se a formar uma comitiva de vereadores para visitar o campus de João Pessoa na próxima semana e a apresentar moção de apoio ao movimento grevista.
Em greve há quase dois meses, professores e servidores técnico-administrativos da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) participaram, na tarde desta quinta-feira (11), de uma sessão especial na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP), para debater a situação da paralisação das atividades que está prejudicando mais de 20 mil alunos em todo o estado. A propositura foi do vereador Bira (PSB). Também estiveram presentes os vereadores Bosquinho (DEM) e Marmuthe (PT do B), além do senador Cícero Lucena (PSDB).
Bira justificou a necessidade de discussão do tema em plenário: “Quando fui informado de que o diálogo entre os grevistas e o governo não estava ocorrendo, me senti na obrigação de trazer isso à CMJP, para dar mais visibilidade ao movimento e colocar neste palco as demandas e reivindicações para um processo de negociação”.
O vereador ainda solicitou uma mesa permanente de negociação com os segmentos da UEPB não apenas durante as greves, lembrando que “a Reitoria tem um papel fundamental nessa discussão, porque só vamos fazer com que haja uma proposta factível se ela for discutida não apenas pelos segmentos, mas por sua administração principal, que é capaz de cobrar essas reivindicações”.
José Sérgio Cunha, do Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior da Paraíba (Sintespb), disse que são, aproximadamente, 700 servidores para darem conta de 22 mil alunos e 1.200 professores. “Isso se chama precariedade, pois a média nacional é de dois funcionários para cada professor. O governo precisa passar mais recursos para a universidade, para sairmos dessa crise e desse sucateamento”, salientou.
A professora Rita de Cássia Cavalcante, do Departamento de Educação do campus de Guarabira, apresentou em plenário fotos de algumas situações encontradas durante visitas feitas aos campi da universidade distribuídos pelo estado. Nelas, eram exibidas cadeiras quebradas, infiltrações e rachaduras nas estruturas dos prédios, lixo, equipamentos quebrados e sucateados, banheiros em condições precárias, etc. “Como é possível trabalhar nessas condições? E o reitor insiste em dizer que está tudo bem”, concluiu.
Layane Marques de Sousa, representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UEPB, também expôs a realidade vivida pelos estudantes do campus de João Pessoa, que atualmente realiza suas atividades em uma estrutura cedida, dividindo um prédio no bairro Cristo Redentor com a Escola Estadual José Lins do Rêgo. “A falta de espaço próprio impossibilita a ampliação de cursos. Como ela vai ampliar, se não tem estrutura?”, lastimou.
O professor Márcio Adriano dos Santos também julgou vergonhosa a situação provisória do campus: “João Pessoa é o cartão de visitas do estado, e é insustentável a situação dessa universidade, que, ainda por cima, só tem três cursos em sua região metropolitana”.
Grevistas dizem que governo está descumprindo lei da autonomia
Juraci Regis de Lucena, professor e coordenador do curso de Química do campus de Campina Grande, disse que os profissionais também estão reivindicando que o governo cumpra a Lei 7.643/04, que estabeleceu a autonomia da UEPB, e que repasse à instituição os valores corretos previstos no instrumento. Conforme o professor, a lei diz que a receita deve ser calculada mês a mês, conforme a arrecadação do governo, mas atualmente os cálculos estão sendo feitos de forma equivocada. Ele ainda lamentou que a Reitoria não tenha tentado uma negociação com o governo nesse sentido.
O professor José Cristóvão de Andrade, que é presidente da Associação dos Docentes da UEPB (Aduepb), também se queixou que a Reitoria e o governo do Estado não mandaram representantes para participar da sessão na CMJP, a fim de ouvir as demandas dos grevistas e sinalizar uma negociação. Ele também salientou que “a UEPB tem sido uma parceira fundamental na luta pela defesa de um ensino de qualidade no nosso estado, mas, às vezes, parece que a contrapartida do governo não fica à altura das necessidades da universidade”.
Lourdes Sarmento, representante do Fórum de Servidores Públicos do Estado, também criticou o governo: “O único do setor do estado que ainda não recebeu reajuste salarial é o dos servidores da UEPB”.
Já o vereador Marmuthe expressou sua indignação com a situação da falta de investimentos por parte do governo na área: “Educação é o começo de tudo, e certamente é devido a esse descaso que o nosso estado tem se mostrado tão violento no cenário nacional”.
Nesse sentido, o senador Cícero Lucena também comentou que o que tem visto “é um total desrespeito do governo com a universidade. A UEPB deveria ser um suporte para oportunizar a interiorização do ensino superior no estado”. O senador ainda garantiu discutir em nível federal questões relacionadas à educação na Paraíba.
Encaminhamentos da sessão
Ao final da sessão especial, o vereador Bira se comprometeu a formar uma comitiva de vereadores para visitar o campus de João Pessoa na próxima semana, a fim de conhecer as condições de infraestrutura e acomodação da instituição na Capital. Ele também se prontificou a apresentar moção de apoio irrestrito ao movimento grevista, a qual, depois de aprovada, será encaminhada aos setores competentes do governo e à Reitoria da UEPB.
Redação com Assessoria
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