Atolado em processos na justiça e no governo federal, o empresário Roberto Cavalcanti Ribeiro, dono do Sistema Correio de Comunicação, usa bem sua influência como suplente do senador José Maranhão (PMDB) para não ser incomodado por uma execução de uma dívida que, sozinha, representaria mais de R$ 40 milhões a menos em seu patrimônio.


Contando com a boa vontade do ministro peemedebista Geddel Vieira Lima (foto), da Integração Nacional, Roberto Cavalcanti vem há praticamente dois anos tendo protelada a execução referente ao Processo Administrativo n° 28110.35.079/84-dv, referente a uma empresa de sua propriedade – a Companhia Sulamericana de Brinquedos. A acusação é grave. Com base em uma farta documentação, a equipe técnica do ministério comprovou indícios de desvios de verbas federais do Fundo de Investimento do Nordeste (Finor)/Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste).


A Companhia Sulamericana de Brinquedos foi aberta em 21 de fevereiro de 1985. Seria uma fábrica de artefatos de material plástico para uso pessoal e doméstico, especialmente brinquedos de plásticos. Fazia parte da Sociedade Anônima Fechada – do Grupo Polyutil – cujo presidentes
e vice-presidentes, ao longo de 22 anos, foram alternados entre Sabatina Torti, Paulo Roberto da Silva, José Fernandes Neto, Luciano Lins de
Albuquerque, Roberto Cavalcanti Ribeiro, Martha Lins de Albuquerque Ribeiro. O gerente de produção era o senhor João Cruz Conde.


Desvios e nenhum emprego gerado
A Sulamericana de Brinquedos tem como principais acionistas o empresário Roberto Cavalcanti Ribeiro, Martha Lins de Albuquerque Ribeiro, Jornal Correio da Paraíba, Rádio e TV Correio, Rádio FM Correio de João Pessoa e outros pequenos acionistas. Os cotistas são Transformadora Industrial de Pláticos (TIP), Roberto Cavalcanti Ribeiro e Jornal Correio da Paraíba.


Em 27 de novembro de 1987, a Sulamericana teve o projeto, para implantação da fábrica de brinquedos, aprovado e as verbas liberadas, pela Sudene/Finor, em 01 de novembro de 1991. A justificativa dada para conseguir os recursos era de que a implantação da empresa iria contribuir para o desenvolvimento do Nordeste, além de atingir o mercado infantil, que de acordo com os dirigentes, crescente na Paraíba e no Brasil.
O valor do projeto era de Cr$ 7.994.902.800,00. Este valor atualizado, em 24 de novembro de 2008, já era de R$ 40.670.070,54. Considerando a correção pelo IPCA e juros de 1%, o valor, em 24 de novembro de 2008, é de R$ 311.996.379,17). Deveria gerar 748 empregos diretos. As primeiras parcelas da verba foram liberadas.


Porém, os empresários Roberto Cavalcanti (dono do Sistema Correio de Comunicação), Sabatina Torti (Dina Torti) e José Fernandes Neto não
implantaram o projeto e, por isso, respondem a processo administrativo por
indício de desvios de verbas federais do Fundo de Investimento do Nordeste (Finor)/Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), conseguidos para implantar a Companhia Sulamericana de Brinquedos.

 

Equipe técnica do Ministério pressiona para processo ser “desengavetado”


Enquanto politicamente o ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, vai facilitando a vida de seu correligionário Roberto Cavalcanti Ribeiro, suplente do senador José Maranhão (PMDB), no escandaloso desvio de recursos públicos para a Companhia Sulamericana de Brinquedos, a equipe técnica do governo federal não se conforma pelo “engavetamento” do processo.


De acordo com informações obtidas na sede do Ministério da Integração, em Brasília, o processo administrativo está dependendo de uma posição do ministro Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que decide se deverá ou não ser instaurado o processo judicial, cobrando uma dívida superior a R$ 40 milhões.
A equipe técnica do Finor (Fundo de Investimentos do Nordeste), um benefício fiscal concedido pelo Governo Federal, é formada por profissionais de carreira, que têm sérias restrições ao uso político de processos públicos envolvendo dinheiro do contribuinte.


Em sistemáticos relatórios, que são olimpicamente ignorados pelo gabinete do ministro Geddel Vieira Lima, os técnicos têm recomendado suspender as liberações, porque identificou que houve irregularidades na aplicação dos recursos na Companhia Sulamericana de Brinquedos.
Os técnicos do Ministério da Integração, através do Departamento de Gestão de Fundos de Investimentos (DGFI), em Recife, apuraram o caso e recomendaram ajuizamento de processo judicial.

 

Empresário alugou irregularmente local para o Carrefour instalar Central de Distribuição do Carrefour
 

As irregularidades envolvendo a Companhia Sulamericana de Brinquedos, de Roberto Cavalcanti, não se limitam ao processo engavetado pelo ministro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional, em Brasília. Em João Pessoa, há um outro grave escândalo: o empresário alugou irregularmente, em 2006, o imóvel onde funcionaria a companhia, para o grupo Carrefour estruturar seu Centro de Distribuição, no Distrito Industrial da Capital.


Relatório do Ministério da Integração Nacional indica que, em nenhuma hipótese, na atual circunstância de estar a apenas um passo de ter uma dívida milionária com a União sendo ajuizada, Roberto Cavalcanti poderia ter negociado o imóvel – já que este tem impedimento legal para qualquer tipo de negociação, enquanto o processo estiver em aberto.


Procurada elo PB AGORA, para dar esclarecimentos sobre a transação, a direção do Carrefour garante não ter conhecimento de qualquer irregularidade envolvendo o imóvel, que vem sendo utilizado como Centro de Distribuição desde março de 2006, porque no contrato de locação consta cláusula garantindo a inexistência de processos judiciais e administrativos.

 

Redação

PB Agora


 

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