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Estado encerra primeiro curso sobre plantas medicinais

O primeiro curso relacionado a plantas medicinais oferecido para índios, profissionais de saúde e lideranças comunitárias foi encerrado nesse domingo (16), em Baía da Traição, Litoral Norte do Estado. Realizado em parceria pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o curso tem como objetivo abordar a importância das plantas medicinais, suas propriedades e características e o estudo e confecção dos fitoterápicos adaptados e a cura das doenças. O encerramento teve a presença da secretária de Estado da Saúde, Roberta Abath.

 

O curso começou no dia 26 de maio deste ano, no Hospital Geral de Mamanguape e, em seguida, foi realizado na Aldeia São Francisco, totalizando 30 participantes. Desde quinta-feira (13), também está ocorrendo no Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, na Capital. A intenção da SES é estender o projeto para toda rede hospitalar do Estado, composta por 33 unidades.

 

Inicialmente, o projeto fitoterápico foi implantado no Hospital de Mamanguape. Por meio de uma horta de plantas medicinais, os pacientes da unidade estão sendo beneficiados com tratamento natural. A finalidade é implementar a política de práticas integrativas de saúde, viabilizando estudos sobre plantas medicinais e fitoterapia e, consequentemente, sua eficácia no tratamento de doenças.

 

“Este é um compromisso do Governo do Estado no resgate histórico do legado do conhecimento popular, que se exterioriza com a expansão desse projeto nos hospitais da Paraíba e nos espaços interinstitucionais”, disse a secretária Roberta Abath, que foi abordada por um índio de apenas oito anos, que fez questão de agradecê-la pela promoção do curso. “Foi muito bom. Com este curso aprendi a não desistir. As plantas são algo importante para o nosso povo. O remédio do mato só faz o bem. Tem poder de cura”, disse Fabrício Faustino, que faz o 4º ano do ensino fundamental.

O cacique Alcides da Silva Alves, da Aldeia São Francisco, destacou a importância da integralidade entre as culturas “O curso aprimorou os conhecimentos sobre as plantas medicinais para a saúde indígena. A questão é garantir uma saúde diferenciada, voltada para o meio ambiente e, por meio das qualificações, garantir o bem viver dos povos indígenas”.

 

Para a índia Maria Nilda Faustino, que é pesquisadora da cultura potiguara do curso Ciências da Religião, da UFPB, as aulas proporcionaram a chance de agregar outras práticas indígenas. “Na cultura indígena, existem os chás e os lambedores, que são usados desde a fase do nascimento até os últimos dias de vida, de acordo com cada fase e também necessidade do organismo”, lembrou Nilda, que ainda destacou a questão da crença na eficiência do remédio. “É preciso crer na cura por meio da utilização de plantas medicinais, para que haja resultado satisfatório”, sugeriu.

 

O curso tem 96 horas e é ministrado pelo assessor de extensão da Pró-Reitoria da UFPB, Emmanuel Fernandes Falcão. Ele explicou que o projeto prevê ainda estudos complementares, com oficinas pedagógicas e musicoterapia (uso da música para reabilitação física, mental e social); cromoterapia (estuda as diferentes cores e sua ação energética para fins terapêuticos); acupuntura (terapia milenar chinesa que consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo) e oficina de Reik (terapia que trabalha o nível emocional, mental e espiritual).

 

“Ainda trazemos a discussão da educação popular em saúde como veículo para despertar a importância do SUS e as práticas integrativas populares complementares de saúde na vida das pessoas, entendendo como política pública de estado. Vale salientar que esta prática dentro de hospitais é pioneira não só na Paraíba como também no Brasil. A novidade já está despertando interesses em outras instituições, a exemplo da Universidade Federal do Rio Grande Norte”, disse o professor.

 

Tratamento fitoterápico – A fitoterapia é a ciência que estuda o tratamento de doenças por meio da manipulação de plantas medicinais. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é considerada como uma terapia tradicional e é muito utilizada nos países em desenvolvimento.

 

Segundo o Ministério da Saúde, os fitoterápicos são medicamentos que desempenham um papel importante em cuidados contra dores, inflamações, disfunções e outros incômodos, ampliando as alternativas de tratamento seguras e eficazes.

 

Indicado para o alívio sintomático de doenças de baixa gravidade e por curtos períodos de tempo, esse tipo de remédio pode ser produzido a partir de plantas frescas ou secas e de seus derivados e têm várias formas farmacêuticas, como xaropes, soluções, comprimidos, pomadas, géis e cremes. Como todo medicamento, o fitoterápico deve ser utilizado conforme orientação médica.

 



Redação

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