Projetado pelo Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (DNOCS) para acumular 411 milhões 686 mil 287 metros cúbicos, o açude Epitácio Pessoa em Boqueirão, atravessa uma das piores crises de sua história. O imenso “mar” no Cariri paraibano, está com o seu volume de água drasticamente reduzido.
O que antes era um oásis agora se transformou em pequenas ilhas. O cenário que aparece é desolador e desconhecido dos moradores da região Ilhas submersas e imensos lajedos começam a aparecer. Esta semana o especialista em recursos hídricos, Isnaldo Costa Cândido percorreu de barco com uma equipe da TV o açude, e se emocionou com o que viu. Os pequenos barcos jogados nas margens do manancial retratam a imagem da crise.
Boqueirão praticamente está secando. As imagens emocionaram o especialista que há 20 anos monitora as águas do açude. Pela primeira vez na história, a torre de comando faz o bombeamento da água pode ser vista em sua totalidade.
Responsável pelo abastecimento de Campina Grande e mais 18 municípios do Compartimento da Borborema, agoniza e hoje está com pouco mais de 9% de sua capacidade. No manancial já é possível identificar mais de 15 ilhas e morros, que antes eram cobertos pela água do açude. Quando cheio apenas quatro ilhas aparecem. A distância entre o ponto onde ainda existe água e o principal sangrador do açude é de aproximadamente 17 metros.
O aparecimento dos rochedos antes submersos, mostram a gravidade da seca. Em uma rocha foi colocado um sinalizador pela Marinha, para evitar acidentes, porque normalmente as pessoas não conseguiam ver a rocha, mas pela primeira vez na história, desde que o açude foi inaugurado, em janeiro de 1957, essa rocha pode ser vista totalmente.
A rocha está tão exposta, que um grupo de pescadores consegue sentar tranquilamente para pescar e, apesar de comemorarem a pesca, não escondem a preocupação com o nível da água.
De acordo com especialista em recursos hídricos, Isnaldo Costa, faltam 17 metros de lâmina d’água para o reservatório voltar a sangrar.
– É bom frisar também, para que vocês tenham ideia, faltam 17 metros de lâmina d’água para esse açude. Então, tem que ser muita água. Nós já estamos no fim das quadras chuvosas, segundo a meteorologia – afirmou.
Atualmente, os 400 mil moradores de Campina Grande e demais 18 localidades abastecidas pelo açude de Boqueirão estão enfrentando o pior colapso e iminência da falta total de água, pois o reservatório está com apenas 10,2% de sua capacidade, que é de 411 milhões de metros cúbicos, considerado o menor volume da história desde que foi inaugurado em 1957.
Antes dessa crise hídrica, o açude havia registrado o pior índice em 1999, quando chegou em 14,9%. Nos seus mais de 50 anos, o manancial sangrou 12 vezes, a última delas, em 2011. No entanto, desde o dia 6 de dezembro de 2014, Campina Grande e região enfrenta um severo racionamento. De início, o fornecimento era cortado no sábado, às 17h, e voltava na manhã da segunda-feira. Em outubro de 2015 houve ampliação até às 5h da quarta-feira, totalizando 84 horas sem água.
Os principais afluentes do açude de Boqueirão são os rios Taperoá e Paraíba. Segundo o especialista em recursos hídricos, Isnaldo Cândido, o rio Paraíba nasce na Serra do Jabitacá, na cidade de Monteiro, a cerca de 150 quilômetros de distância do manancial. No seu trajeto, até chegar em Boqueirão, existem três reservatórios de grande porte, o Poções, o Camalaú, e o Sumé.
Já o rio Taperoá, que é o principal afluente do Paraíba, nasce em Teixeira, e após percorrer os municípios de São João do Cariri e Cabaceiras, deságua no Paraíba, a uma distância de cerca de 12 quilômetros do barramento principal do açude de Boqueirão. No caminho do rio Taperoá também existem açudes de porte considerável, como o Taperoá e o Açude do Meio.
De acordo com Isnaldo Cândido, um abastecimento por meio de carro-pipa é inviável. “É impraticável pensar em Campina Grande ser abastecida por carro-pipa. No raio de 80km, nós não temos nenhum manancial, fora o Açude Epitácio Pessoa, que tenha a capacidade hídrica de atender a cidade de Campina Grande”, explicou.
As bombas do sistema de captação flutuante estão prontas para começar a funcionar a qualquer momento. A torre de comando faz o bombeamento da água para o abastecimento dos municípios e também na história do açude do Boqueirão ela nunca tinha sido vista em toda sua totalidade, mas agora, é possível vê-la e vai chegar um momento em que a água não vai chegar mais aos tubos de bombeamento da torre e é quando o sistema de captação flutuante da água, que já está funcionando, em fase de testes, vai funcionar efetivamente.
O açude de Boqueirão foi construído pelo DNOCS há mais de 50 anos, e hoje garante o abastecimento de mais de 1 milhão de paraibanos e hoje atravessa a pior crise de sua história.
Severino Lopes
PBAgora
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