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Especialista diz que crescimento desordenado é o vilão para poluição na Bacia do Gramame

 Nos últimos 40 anos a mais importante fonte hídrica da Região Metropolitana de João Pessoa é a Bacia do Gramame, formada pelos açudes Gramame e Mamuaba, responsáveis por cerca de 70% do abastecimento da cidade, vem passando por um forte crescimento urbano e econômico, afetando a saúde das águas, denuncia o professor e pesquisador da ONG Escola Viva Olho do Tempo, Ivanildo Duarte, que realiza trabalhos socioambientais no bairro.

“Muitas pessoas não sabem, mas nós estamos bebendo água poluída. Participamos de um estudo, onde monitoramos mais de 100 nascentes e percebemos como as águas daqui estão sujas. Foram identificadas desde coliformes fecais até agrotóxicos e metais pesados, além do lixo da população que visita o rio”, disse.

O processo de poluição foi acelerado com a criação do Distrito Industrial de Gramame, que abriga cerca de 70 fábricas de segmentos variados, entre eles da construção civil e têxtil. O parque reconfigurou a economia local, para o bem e para o mal, explica o representante da ONG Escola Viva Olho do Tempo. Os aspectos culturais e sociais passaram por profundas modificações no Gramame, alterando a rotina das famílias, que pouco a pouco foram substituindo a relação com a natureza pela permanência nas indústrias.

A urbanização desordenada, que tem afetado o Gramame nos últimos anos, é historicamente um dos principais vilões das nascentes e rios urbanos. Por toda Região Metropolitana de João Pessoa é possível constatar as consequências deste cenário inconveniente.

Um desses sinais é o Rio Jaguaribe, primeira fonte de abastecimento da cidade. Sua nascente é na zona Sul de João Pessoa, na região do bairro Esplanada, de onde parte em direção aos 513 hectares do Jardim Botânico, atravessando o parque e seguindo para a zona norte, no bairro do Bessa, onde deságua no Rio Paraíba. Vista de cima, por imagem de satélite, a trajetória do rio lembra um conjunto de artérias, ligadas à Mata do Buraquinho, que tem a forma de um coração. Os ‘vasos’ (rios, córregos e nascentes) estariam constantemente afetados por invasores, formados pela malha urbana da cidade, analogia usada pelo pesquisador Francisco Jácome Sarmento, para explicar a saúde dos rios.

O Rio Jaguaribe era a fonte primária de água em João Pessoa. Com o crescimento da cidade, se tornou insuficiente, sendo criada a Barragem de Marés, de onde hoje vem cerca de 30% do abastecimento da região. Esta segunda fonte seguiu o mesmo processo da antecessora, destaca Sarmento.

 

Redação

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