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Especialista da PB explica que modelo de família foi inventado na Revolução Industrial

 Professor do Programa de Pós-graduação em Sociologia (PPGS/UFPB), o antropólogo Adriano de León explica que o conceito de família nunca foi natural, mas sim forjado com o passar dos séculos. “O fundamentalismo enxerga a família no singular, num modelo único. É importante ressaltar que este conceito de família foi pensado, inventado durante a Revolução Industrial para atender ao capital”, disse.

Na avaliação do pesquisador, este modelo tem sido questionado, dados os novos modelos e configurações das relações sociais. “O fundamentalismo deixa de considerar família tanto aquelas homoparentais (formada por gays e lésbicas), como também inseminação in vitro ou a barriga de aluguel (maternidade por substituição), por exemplo. Acontece que a família cada vez menos é singular, está cada vez mais plural”, disse o professor.

Famílias plurais. Ainda há diversos outras configurações possíveis. Crianças criadas por irmãos. Netos criados por avós. Casas compostas por mães solteiras, pais solteiros e seus filhos. Neste mosaico de possibilidades, afirmar um modelo único de família é não entender as configurações do mundo contemporâneo, é o que defende a estudante Dandara Thaís Dantas, de 20 anos, que mora com a irmã, a avó e o irmão de 3 anos de idade.

“Na minha avaliação, família não precisa necessariamente de um provedor, a figura de um pai, por exemplo. É preciso, antes disso, diversos outros valores. Afeto, cuidado e parceria são fundamentais. Hoje as famílias são mais complexas do que se imagina, outros parâmetros são usados para se definir o que é família”, disse. Apesar de jovem, Dandara diz que viver numa família que não se encaixa no modelo “tradicional” a tornou uma pessoa mais madura, companheira e responsável.

 

“Quantas famílias ‘tradicionais’ existem aí e a responsabilidade doméstica recai toda sobre a mãe? Isso para mim não é cumplicidade, não é uma família. Minha idéia de família é amor, parceria. Isso nós conseguimos construir na minha casa”, disse.

 

O irmão de Dandara, Marcos Geovane Alcântara Filho, veio de Patos, à 317 quilômetros da Capital, após a mãe da jovem falecer, em fevereiro deste ano. A avó, Francisca Dantas Ferreira, que tem limitações por causa da idade, também saiu do Sertão para morar com Dandara e a irmã em João Pessoa.

 

Redação

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