Escola de Frankfurt e revolução cultural

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No livro “Grande Hotel Abismo”, o jornalista Stuart Jeffries investiga a Escola de Frankfurt. Essa Escola foi criada em 1924, na Alemanha, e tem exercido grande influência no pensamento ocidental. Inicialmente, a Escola visou estudar o marxismo histórico e entender o porquê de não ter havido uma revolução proletária na Alemanha como ocorrera na Rússia.

Contudo, a Escola de Frankfurt assumiu, a partir dos anos 1931, com a diretoria de Max Horkheimer, uma vertente de crítica cultural ao capitalismo. Relacionando Freud e Marx, a Escola desenvolveu uma teoria crítica negativa (antipositivista) ao capitalismo e sua ideologia. Essa crítica cultural buscava mostrar as contradições do sistema capitalista, afirmando que a cultura do Ocidente criava indivíduos dominados e manobrados como massa pelo ideal de produção.

Ocorre que, com a chegada ao poder dos nazistas, em 1933, os estudiosos – que eram judeus – fugiram para os EUA, onde passaram a desenvolver uma crítica negativa ao capitalismo americano. Nesse exílio forçado, afirmaram que a cultura americana capitalista era um instrumento de dominação. Chegaram a comparar capitalismo americano com fascismo totalitário!

Ironicamente, os principais membros da Escola de Frankfurt passaram a trabalhar para o governo americano contra o fascismo nacional-socialista. Para eles, o fascismo se apoiava em uma psiqué autoritária das massas, cultivada no seio familiar pela figura de autoridade do pai de família que espelhava um imaginário de dependência de uma figura política autocrata. Essa psiqué e seus resultados precisavam ser combatidos.

Após a Guerra, Adorno, Horkheimer e Habermas voltaram para a Alemanha e desenvolveram críticas sistemáticas ao silêncio daqueles que participaram do nacional-socialismo durante o conflito. Marcuse, porém, permaneceu nos EUA e passou a teorizar sobre o potencial subversivo da sexualidade dentro do capitalismo, com fortes críticas à família tradicional. Para Marcuse, Eros deveria sobrepor Logos.

Marcuse se tornou o pai da nova esquerda americana. Na década de 1960, ele defendeu ser preciso que minorias e excluídos se revoltassem contra a opressão e dominação da cultura capitalista e suas instituições tradicionais, como a família. Quando, em 1968, estouraram as revoltas estudantis na Europa, Adorno e Habermas fizeram muitas críticas, enquanto Marcuse se tornou o mais querido dos revolucionários.

A Escola de Frankfurt continua muito importante para os dias de hoje. A nova esquerda progressista se apoia na teoria crítica que sintetiza pautas identitárias, temas de sexualidade e críticas ao capitalismo e a instituições tradicionais. Essa nova esquerda, que aproveita os produtos do capitalismo, observa de seu grande hotel caviar o abismo da polarização cultural e política.

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