Missionários de entidades religiosas e simpatizantes do movimento GLS realizaram na tarde desta terça-feira (10) uma pacífica manifestação e caminhada pelas ruas do Centro de João Pessoa, em apoio ao padre e deputado estadual Luiz Couto. Em sinal de protesto, todos os participantes do movimento estavam amordaçados com panos pretos.

Após declarações em defesa do uso de camisinha, combate a intolerância e discriminação de homossexuais, princípios que contrariam os entendimentos do Vaticano, o padre, deputado e presidente estadual do Partido dos Trabalhadores na Paraíba, Luiz Couto, foi impedido de realizar atividades sacerdotais. O arcebispo Dom Aldo Pagotto, suspendeu o uso de Ordem do padre Luiz Couto, até que o mesmo venha a público esclarecer e ratificar as declarações.

Para o missionário Francisco Daiut, o grande objetivo do protesto é tornar público o apoio da sociedade ao padre Luiz Couto.

“Estimamos Luiz Couto pela luta em favor dos direitos humanos e somos contra a decisão de Dom Aldo”, disse Daiut.

“Pedimos a Dom Aldo que possa rever esta decisão que nos parece muito severa para com o deputado Luiz Couto”, completou.

Ainda segundo o missionário, as questões levantadas por Luiz Couto são pontos que atualmente são discutidos dentro e fora da igreja, além disso, o uso da camisinha deve ser tratado como uma questão de saúde pública.

“Quanto aos homossexuais precisamos ser tolerantes. A igreja ao mesmo tempo em que condena esta prática se mostra solidária, pois diz que devemos tratá-los com humanidade uma vez que são seres humanos”, lembrou Francisco Daiut.

O OUTRO LADO DA MOEDA

Em entrevista ao portal PB Agora, Dom Aldo declarou que a doutrina católica ficou ferida e comprometida com as declarações de Luiz Couto (PT), que contrariam os entendimentos do Vaticano.

“Não podemos ferir a doutrina cristã católica e o evangelho, pois estaríamos negando a nossa identidade, a vida e a missão da própria igreja”, disse Dom Aldo.

“Nós padres somos os primeiros responsáveis pelo esclarecimento do povo e ao afirmar uma ambigüidade você confunde a cabeça da população”, completou.

Segundo Dom Aldo, política partidária e sacerdócio não combinam.

“Tolera-se, entende-se uma missão ou vocação especial com o apoio da população que votou maciçamente no deputado, mas não se pode misturar opiniões particulares ou do partido com a doutrina católica que ficou ferida e comprometida com as afirmações de Luiz Couto”, esclareceu o arcebispo.

“É preciso separar o que é política e o que é igreja, por exemplo, o presidente Luis Inácio Lula da Silva toma a mesma posição, tanto que distribui preservativos, mas diante da religião deve-se esclarecer que este ato vai contra a doutrina da igreja”, informou.

“Luiz Couto tocou em assuntos de extrema delicadeza, então temos como, sem sermos grosseiros, indelicados ou agressivos, dirimirmos estas questões pertinentes a dois “pratos” – o que é de religião e de fé ou o que é de política e outras questões” completou o arcebispo.

Thiago Moraes

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