Por pbagora.com.br

Sob o nick de Simple Jack ([email protected]), em comentário ao artigo sobre o “Ano Sacerdotal”, o caro leitor questionava sobre o Pe. Duarte certamente em relação a tudo que foi dito no referido artigo e a tudo que a imprensa divulgou sobre ele nestes últimos dias.

O que dizer?

Inicialmente digo que não o conheço, falar de um desconhecido já nos limita, mas reconheçamos que o fato veiculado na mídia sobre as imagens pornográficas envolvendo o Pe. Duarte, vão além de um mero conhecimento pessoal ou não.Exigem uma resposta e essa já foi dada em nota oficial da Diocese de Cajazeiras onde o Pe. Duarte reside sem, entretanto, exercer atividades sacerdotais na paróquia ou na diocese, já há mais de dez anos.

Vejamos alguns pontos da Nota Oficial sobre a questão:

1. Lamenta, reprova e pede perdão.
2. Esclarece de que não se trata do vigário de Santarém, mas de um mero residente.
3. Explica que ele não exerce o ministério sacerdotal há dez anos e não faz parte da Diocese de Cajazeiras, apenas residindo em Santarém sua terra natal, da qual se considera fundador e onde exerce atividades sociais e políticas.
4. Confia que os meios de comunicação informarão sobre as realidades dos fatos.
(Confira em diocajazeiras.com.br)

Ademais, a Palavra do Senhor nos adverte: “Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa! (Mt 18,7).
Desde o princípio da Igreja, escândalos estão presentes na vida de seus filhos. O maior escândalo de todos os tempos da história do cristianismo aconteceu com um dos doze apóstolos, escolhido a dedo pelo próprio Cristo Jesus e após uma noite de oração: Judas, que o traiu vendendo-o por trinta moedas. Creio que não haverá escândalo maior que esse, escolhido por Deus, vende o próprio Deus.

É o mistério da iniqüidade, que continua a agir, mesmo nos que foram alcançados pela graça de Deus, se encontrar brecha. Mas a santidade da Igreja não se fundamenta em seus filhos, mas no Senhor Jesus, seu fundador, no Espírito Santo que a santifica, nos sacramentos que a fazem e na vida de uma plêiade de homens e mulheres que viveram em grau heróico as virtudes cristãs por grande correspondência à graça do Senhor.

A eleição divina não anula a liberdade humana, antes a supõe. Os grandes escolhidos de Deus em toda Bíblia, à exceção de Maria Santíssima, preservada desde a concepção de toda mancha do pecado em virtude dos méritos de Cristo Jesus, e permanecendo na graça até o fim e sempre, tantos outros demais personagens bíblicos ungidos do Senhor como Moisés, Davi, Salomão também prevaricaram.

O apóstolo Paulo sabia que “…temos este tesouro em vasos de barro…” II Cor. 4,7. O tesouro da filiação divina, da vocação matrimonial, sacerdotal, do exercer ministérios neste mundo é vivenciado na frágil condição e realidade humana, “Tu és pó e ao pó retornarás….” (Gn 3,19).

Mesmo Paulo, repleto de dons do Espírito Santo reconhecerá “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que queria, mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita.” Rom 7, 18-20.

Recomenda-nos o mesmo apóstolo; “Orai sem cessar…”. (I Tes. 5,17). O Sacerdote que não encontra tempo para fortalecer-se na oração, os fiéis que não oram pelos seus sacerdotes, estão mais facilmente possibilitando ocasiões de queda.

Na Igreja, por divina instituição (Jo 20,23), temos o Sacramento da Reconciliação, a Confissão, para restabelecer a comunhão com Deus e com os irmãos. “Se confessarmos os nossos pecados, Deus aí está, fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniqüidade” (I Jo 1,9). E mais: “se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós (I Jo 1,8). E para coroar o Senhor Jesus dirá: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra…. ( Jo 8,7).

Dito isto, não esqueçamos que Deus “corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho (Hb 12,6), poda sua videira, por isso a Igreja ao passo em que ministra o perdão, também sanciona punições para disciplinar seus filhos errantes na esperança de restabelecê-los Naquele que veio para salvar e não para condenar. Misericórdia e justiça são duas faces do mesmo amor de Deus. Perdão e penitência são medidas pedagógicas da cura divina, daquele que “sara a nossa terra’. Doença difícil? Remédio amargo!

Oremos ao Espírito Santo que convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16,8).

 

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