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Crônica: pobres contadores de estórias da PB em cifrões destinados à parte da mídia

Muitos falam que a primeira ou uma das primeiras profissões do mundo foi a prostituição. Eu discordo dessa teoria. Para mim, quando o ser humano começou a buscar poder, ele teve ao seu lado uma figura chave para contar, de forma oficial, seus feitos. Os escribas, por exemplo, ocupavam uma cadeira de destaque no cenário real.

Na Antiguidade, os escribas eram os profissionais que tinham a função de escrever textos, registrar dados numéricos, redigir leis, copiar e arquivar informações. Como poucas pessoas dominavam a arte da escrita, possuíam grande destaque social.

Mas não vamos buscar textos e, sim, pinturas rupestres. São fartas as atividades de “artistas” que retratavam o cotidiano das suas civilizações, conforme o desejo dos seus superiores. E hoje? Bem, pelo menos na Paraíba, falo do meu estado, pois o grau de dependência política e financeira é extravagante, temos “pintores” rupestres para todos os gostos.

Francamente, muitos se perdem no caminho dos tijolos de ouro. Homens e mulheres que eu aprendi a respeitar e buscar sentido nas suas opiniões, entre um mês e outro passam a modificar um discurso construído há décadas.

Muitos irão me criticar, atacar. Jogar pedra na Geni, pois ele é feita para apanhar, maldita Geni! Pois bem, prefiro ser ela, uma “prostituta”, a se vender para levitar em belo zepelim. Agora continuarei minha função, minha profissão, mas estou louco para pular deste barco, pois meu sonho está na história e, não, na estória. Ou alguém acha que a Paraíba é a terra dos Tabajara? Caso ache, busque a verdade em livros sérios e veja que somos Potiguara e outras nações, menos Tabajara, que chegou em nossas plagas por questões de guerras territoriais.

Aproveito para colocar mais uma centelha neste fogaréu. Diz Wellington Aguiar (Historiador, sócio do IHGP, ex-presidente da Academia Paraibana de Letras, membro do Conselho Estadual de Cultura) em debate no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, em decorrência das comemorações dos 500 anos de “descoberta” do Brasil.

Em trecho, diz o historiador: “ E eu aproveito para dizer que essa história de terra dos tabajaras, não é verdadeira. A Paraíba não é a terra dos tabajaras. Já vi em vários livros, inclusive de professores da Universidade, um até amigo meu. Dra. Eudésia Vieira publicou um livro, TERRA DOS TABAJARAS. Não tem nada de tabajaras. Os tabajaras moravam entre a Bahia e Pernambuco, nos limites do São Francisco, e vieram para cá. Saíram de lá porque fizeram um massacre nos portugueses”.

E segue o historiador: “Piragibe sempre colaborou com os portugueses, mas os portugueses quiseram atraiçoá-lo e eles vieram para cá, entrando pelo rio Paraíba, em Monteiro. Muita gente boa chama terra dos tabajaras. Como muita gente diz que Cajazeiras ensinou a Paraíba a ler. Não é possível. Cajazeiras começou em 1800. Os jesuítas davam aula aqui, em Latim, nos finais do século XVII e século XVIII, como é que Cajazeiras ensinou a Paraíba a ler? Um dia desses uma pessoa respeitável intelectualmente escreveu isso numa revista de Cajazeiras: “Cajazeiras ensinou a Paraíba a ler.” Tudo por conta da comemoração do Padre Rolim. Não é possível. Uma terra que nasceu em 1800, que antes disso só tinha cobra, índio e carrascais. Quem ensinou a Paraíba a ler foi a capital. Não é porque é melhor do que ninguém, é porque foi fundada primeiro.”

Agora, quem acha que os jornalistas estão a serviço de A ou de B, reflita. O discurso distoou muito em relação aos escribas.

Na atualidade, nossa profissão está, em grande partez atrelada a “forças ocultas”. Ficou quase uma defesa governamental. E isso é fenômeno mundial. Já Os escribas eram, geralmente, funcionários reais, pois eram comandados pelo governante e deviam registrar tudo o que seu superior ordenasse. Uma função de quase historiador. E hoje, como anda nossa profissão ou parte dela?

Eliabe Castor
PB Agora

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