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Coordenador de telescópio no Sertão da PB citado em relatório dos EUA nega que local seja base militar da China

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O Laboratório Conjunto China-Brasil para Radioastronomia e Tecnologia, instalado na Serra do Urubu, no município de Aguiar, no Sertão da Paraíba, foi mencionado em um relatório de um comitê do Congresso dos Estados Unidos que analisa possíveis instrumentos de espionagem da China na América Latina. O coordenador do projeto, o físico Élcio Abdalla, negou que o local seja uma base militar e reforçou o caráter científico do local.  

Élcio Abdalla disse que apenas três pesquisadores de universidades do país asiático fazem parte da cúpula de comando e que o governo chinês entra apenas como apoio tecnológico e dos pesquisadores e que “se houver alguma influência, é uma influência brasileira”.

O laboratório instalado no Sertão da Paraíba integra o projeto internacional BINGO (Baryon Acoustic Oscillations in Neutral Gas Observations), voltado à pesquisa em radioastronomia. A iniciativa busca detectar oscilações acústicas bariônicas (BAO) por meio da observação de sinais em radiofrequência para averiguar a matéria e a energia escura do universo. O projeto reúne instituições do Brasil e da China, como o CESTNCRI, a UFCG, a UFPB e o Governo da Paraíba.

Foto: Bozzano.info/Colaboração BINGO

O coordenador disse também que uma das tecnologias do radiotelescópio pode ser usada para outros fins, inclusive de mapeamento de florestas brasileiras e segurança.

Essa tecnologia em questão é chamada de Phased array, que é um conjunto de antenas para, no caso, serem apontadas para o céu e conseguir dados sobre a energia escura e a matéria escura. Mas essas antenas podem ser usadas no mapeamento e outras finalidades.

O Secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, Cláudio Furtado, também desmentiu a existência de uma base militar secreta chinesa na Paraíba, mas que só vai se posicionar após o Itamaraty.

Em meio ao conflito no Oriente Médio, um relatório de uma comissão do Congresso dos EUA divulgado na semana passada acusou a China de operar uma rede de instalações espaciais na América Latina com potencial uso militar. Duas das instalações nomeadas no documento ficam no Brasil.

No documento, os deputados americanos mostram especial preocupação com a participação chinesa em uma estação na Bahia feita com uma empresa de satélites – e demonstram preocupação com uma potencial perda da hegemonia militar sobre a região, considerada como “esfera de influência” de Washington.

Além da estrutura no Sertão paraibano, o documento também menciona a Estação Terrestre de Tucano, localizada em Salvador, na Bahia.

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