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CMJP: pioneira em transmitir sessões com tradução

Acessibilidade: Câmara da Capital é a pioneira no estado da PB a transmitir sessões da Casa com tradução em Sinais de Libras

Desde a manhã da última quarta-feira (2), a Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) disponibiliza a tradução simultânea em Sinais de Libras das sessões ordinárias da Casa, transmitidas ao vivo pela ‘TV Câmara’ (Canal 23 da Net), tornando-se a pioneira no estado da Paraíba. As sessões ordinárias acontecem às terças, quartas e quintas-feiras, sempre a partir das 9h.

“Em breve, a utilização de intérpretes em Libras ocorrerá em outros momentos da nossa programação”, garante o secretário da Comunicação Social da CMJP, Jorge Rezende. “Num segundo momento, as traduções em Sinais de Libras estarão nas audiências públicas e nas sessões especiais e solenes. A médio e a longo prazos, pretendemos, dentro das nossas possibilidades técnico-operacionais, estender o serviço a toda programação da ‘TV Câmara’, para, cada vez mais, contribuir para a inclusão social e na promoção da cidadania dos portadores de deficiência auditiva”.

A tradução na linguagem de Libras era uma pretensão antiga da Presidência da Casa Legislativa de João Pessoa, que não podia realizar o intento devido a questões operacionais e burocráticas, que foram vencidas desde o início deste ano, quando a Diretoria Geral conseguiu comprar novos equipamentos e formou uma equipe própria para realizar a programação da tevê.

Para o presidente da Casa, vereador Durval Ferreira (PP), esse é um grande passo que a Casa realiza dentro da política de inclusão que vem sendo propagada e dentro das diretrizes estabelecidas na lei federal 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que trata da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência, que, além de outras determinações, busca a eliminação de barreiras na comunicação, estabelecendo mecanismos e técnicas para permitir a acessibilidade das pessoas à comunicação e a sinalização às pessoas portadoras de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação, garantindo o acesso a informação, a comunicação, ao trabalho, a educação, ao transporte, a cultura, ao esporte e ao lazer.

Essa atitude pioneira na tevê paraibana da Casa de Napoleão Laureano se faz de suma importância, pois a ‘TV Câmara’ estará disponibilizando a informação de todos os trâmites legislativos da Capital para cerca de 20 mil pessoas surdas que vivem na cidade e aproximadamente 100 mil pessoas em todo o estado da Paraíba, conforme ressaltam os dois intérpretes de Libras que estão atuando na CMJP: Alda Leabi Oliveira de Araújo e Reginaldo Freire das Neves.

“São muitas pessoas sem acessibilidade na comunicação. Essas pessoas surdas ligam a tevê e não sabem o que está sendo falado, mesmo sendo esse um direito garantido. E a CMJP avança com essa decisão pioneira, levando ao cidadão o direito de ouvir (em forma de sinais) e saber o que está sendo falado aqui na Câmara. O direito de conhecer o trabalho de seus representantes, daqueles em quem eles votaram”, afirma Alda Araújo.

Pioneirismo

Desde que assumiu os trabalhos na ‘TV Câmara’ e de rádio da CMJP, o coordenador Gilson Ricardo foi imbuído pela Diretoria Geral da Casa a viabilizar a estrutura adequada para a inserção dos tradutores de Libras na programação da emissora. E agora, após todo o processo de estruturação, ele diz que todas as sessões ordinárias que acontecem na CMJP vão ser traduzidas para a linguagem de Libras.

“A ‘TV Câmara’ é a primeira emissora pública paraibana a cabo a incluir em sua programação os intérpretes de Libras. E a importância disso é que vamos chegar às pessoas com deficiência auditiva, que vão poder acompanhar o que acontece na CMJP. Conhecer leis, projetos e debates. Vão exercer a verdadeira cidadania”, avalia Gílson Ricardo.

Intérpretes

Através de análise de currículos e de pesquisa sobre a experiência em tradução de Libras, além da verificação sobre a proficiência na área, foram selecionados dois intérpretes para a ‘TV Câmara’: Alda Leabi Oliveira de Araújo e Reginaldo Freire das Neves.

Formada em Pedagogia e em Teologia, Alda Araújo trabalha há quase 20 anos como intérprete de Libras, tendo sua formação erigida através de diversos cursos da linguagem de sinais em diversas instituições religiosas da Capital e na Fundação Centro de Apoio à Pessoa com Deficiência (Funad), que disponibiliza um curso de dois anos nessa área.

A intérprete trabalha na Associação Evangélica das Pessoas com Deficiência da Paraíba (Sedep) e assessora a vereadora Eliza Virgínia (PPS) e o deputado estadual Nivaldo Manoel (PMDB). É tradutora na Primeira Igreja Batista e agora exerce a tradução também na ‘TV Câmara’. Realizou sua proficiência de nível superior em Tradução da Linguagem dos Sinais no ano de 2006, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Também tendo sua formação como intérprete de Libras em diversas instituições religiosas da Capital, o intérprete Reginaldo Freire trabalha na rede municipal de ensino como tradutor de sinais em escolas públicas. Ele realizou sua proficiência de nível médio em 2009, também na UFPB.

Proficiência

Como não existia um curso de graduação nem licenciatura na área de intérprete de Libras, mas já existia muitas pessoas capacitadas para trabalhar nessa área, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), conjuntamente com o governo federal, instituiu a proficiência na tradução da linguagem dos sinais. A UFPB se juntou à UFCS e, desde 2006, realiza as avaliações que são analisadas em Santa Catarina e voltam para a Paraíba.

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é oficialmente a segunda língua do Brasil, instituída pela lei 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre toda sua aplicabilidade e legislação no território brasileiro. A língua Libras brasileira tem como base a língua de sinais francesa, pois cada nação tem sua organização dos sinais, porque cada país tem suas características culturais. Sendo em sua essência uma língua formada por todos os níveis lingüísticos: o fonológico, o morfológico, o sintático e o semântico. Só se diferencia das demais línguas por sua modalidade visual-espacial.

De acordo com a intérprete Alda Araújo, devido às constantes transformações na linguagem do cotidiano, algumas expressões não têm seu referencial na linguagem de sinais e a forma de traduzir essa expressão é a datilologia, que consiste em expressar através dos sinais a palavra nas letras do alfabeto. Já o intérprete Reginaldo Freire lembra que os nomes das pessoas são traduzidos através da datilologia, mas muitas pessoas possuem seus símbolos já instituídos na linguagem dos sinais, como é o caso das pessoas famosas.

Essa sinalização para caracterizar pessoas ocorrem em comunidades e associações de surdos que se reúnem e, através das atividades diárias, descobrem uma forma de caracterizar determinada pessoa. Segundo os intérpretes, na CMJP existem dois vereadores que já possuem essa sinalização, que são a vereadora Eliza Virginia (PPS), que sempre tem participado do trabalho de inclusão das pessoas com deficiências, participando de comunidades e associações de surdos na cidade, e o presidente da Casa, Durval Ferreira (PP), que também, mesmo antes do seu mandato eletivo, segundo Alda, já trabalhava com as questões da acessibilidade na Capital, sendo inclusive participante ativo sobre as questões dos surdos.

 

Redação com Assessoria

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