Cabaceiras, município mais seco do Brasil, já teve um ambiente muito mais úmido, aponta pesquisa

Um estudo conduzido pelo Laboratório de Estudos do Semiárido da Universidade Federal da Paraíba (LAESA/UFPB), por meio do Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGG) e em colaboração com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste/PR), trouxe evoluções sobre a história ambiental do bioma Caatinga. Com foco nos enclaves úmidos e subúmidos do Cariri Paraibano, partindo da coleta de solos e de vertissolo com 110 cm de profundidade, além de coleta de 130 cm de cambissolo e 1,60 m de glaissolo, todas na Salambaia, Lager do Brava em Boa Vista, o estudo revela importantes dados sobre a evolução paleoambiental e a ocupação humana na região.

Intitulada “Estudos paleoambientais em enclaves úmidos e subúmidos do Cariri Paraibano: Contribuições para a Compreensão do Bioma Caatinga”, a pesquisa foi realizada como tese de doutorado da Christianne Farias Da Fonseca, do Centro De Ciências Exatas E Da Natureza (CCEN) com orientação do professor Bartolomeu Israel do Departamento de Geociência. A pesquisa foi realizada em áreas localizadas nos municípios de Cabaceiras, Boa Vista, São João do Tigre, Congo e Monteiro, sob a influência do Planalto da Borborema. Esses locais destacam-se por abrigar espécies típicas de ambientes úmidos, em meio ao bioma semiárido.

Os pesquisadores analisaram os solos e vegetação de sete locais utilizando métodos multiproxies [abordagens científicas que combinam diferentes tipos de indicadores ou “proxies” ambientais para reconstituir condições passadas de um ecossistema], incluindo análise de isótopos estáveis de carbono (18C) e nitrogênio (15N) [mudanças na vegetação e no ciclo de nutrientes], carbono orgânico total, datação por 14C da matéria orgânica do solo e análise de fitólitos [são pequenas partículas de sílica – dióxido de silício – que se formam no interior de células de plantas].

Os resultados indicaram que, há cerca de 8.200 anos atrás, o Lajedo da Salambaia, em Cabaceiras, apresentava condições significativamente mais úmidas. Fitólitos queimados associados a plantas alimentares, pinturas rupestres e sítios arqueológicos sugerem ocupação humana no Holoceno Inferior e Médio, especialmente no Lajedo da Salambaia e na Serra da Paula.

“A gente encontrou partículas de sílica com coloração âmbar na lagoa da Craibeira, na fazenda Salambaia, e isso condiz que essas partículas passaram por temperaturas acima de 600 graus, e esses fitólitos são de famílias botânicas que são indicativos de base alimentar indígena”, ressaltou a pesquisadora Christianne.

Para o orientador, a importância de preservar os enclaves úmidos e subúmidos é importante na biodiversidade. Esses ambientes são cruciais para a recarga hídrica e a convivência sustentável no semiárido, e  investigar a evolução ambiental em área de influência da Província da Borborema, no Cariri Oriental e na porção Centro-Ocidental para fins de caracterização dos solos e reconstituição paleoambiental.

“A importância principal de preservar essas áreas está relacionada à presença de água, presença de solos mais úmidos e também à própria biodiversidade, que já está muito alterada em toda a caatinga”, disse o orientador.

PB Agora com Ascom UFPB

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