Por entender que há racismo na música “Antes que o mundo se acabe”, escrita
pelo cantor e compositor Biliu de Campina, a organização não governamental
“Bamidelê” quer processar o artista. Segundo afirmou a ativista social
Mabel Dias, no programa “Alô comunidade” da Rádio Tabajara da Paraíba no
sábado passado, a organização discutirá se cabe ação penal a ser movida
contra o cantor por causa da música.
A “Bamidelê” é uma organização não-governamenta composta especialmente por
feministas negras, com o propósito de promover impactos sociais, com
projeto político de contribuir para a eliminação do racismo e do sexismo,
assim como promover debates e ações que fortaleçam a identidade e
auto-estima, sobretudo de mulheres negras.
O programa “Alô comunidade”, produzido pela Rádio Comunitária Zumbi dos
Palmares, recebeu diversas ligações telefônicas de ouvintes comentando o
fato, após a execução da música de Biliu de Campina e dos comentários de
Mabel Dias e Daiane Dutra, Coordenadora da Casa Abrigo Ariane Thais,
entrevistada no momento. O ouvinte Geraldo Figueiras, do Jardim 13 de Maio,
em João Pessoa, ligou para lamentar a execução da música “em um programa
que fala sobre a violência contra as mulheres”. Para ele, a canção de Biliu
de Campina é “lixo musical e não deve ser tocado em rádio nenhuma,
principalmente numa rádio pública como a Tabajara”.
Já o ouvinte Jânio
Lutero, de Cabedelo, acha que a música “tem realmente versos pesados e
racistas”, mas não é favorável ao indiciamento do cantor. “Se fosse um
artista de renome nacional, ninguém falaria em processo”, afirmou ele,
dizendo-se fã do cantor. “O momento da execução da música é que foi
errado”, afirmou Jânio.
Ascom








