TV Globo/Reprodução
Você pode gostar ou não do programa Big Brother Brasil. Você pode assistir, ou não. Mas com certeza se você acessa as redes sociais ou assiste algum outro programa televisivo ou lê notícias online, já deve ter se deparado com a notícia de que um dos participantes, Pedro Henrique, teria assediado uma das colegas de confinamento.
O episódio protagonizado por Pedro no BBB26 não é apenas mais um escândalo televisivo. É um retrato brutal da cultura de assédio que insiste em se perpetuar, dentro e fora das câmeras. Pedro tentou beijar a participante Jordana à força, ignorando sua vontade e ainda ficou a encarando de forma intimidadora após o ocorrido. Jordana ficou em choque, paralisada, como tantas mulheres ficam diante da violência que não provocaram e não mereciam.
Após isso Pedro apertou o botão de desistência e disse que “aconteceu o que não devia ter acontecido” e essa declaração é tão frágil quanto perigosa. No confessionário, ele alegou ter entendido de outra maneira o convite para ir à despensa pegar um babyliss e ainda disse que desejou a participante por ela se parecer com sua própria esposa. Ora, como alguém transforma um pedido trivial em suposta abertura para envolvimento íntimo? Essa desculpa não é apenas absurda, é ofensiva. É a mesma narrativa que tantas vezes ouvimos: “ela provocou”, “ela deu abertura”. É a tentativa de inverter a responsabilidade, de transformar a vítima em culpada.
Pedro é casado, sua esposa está grávida de sete meses e dentro da casa ele já havia admitido repetidas vezes ter traído a companheira. O histórico não é detalhe, é parte de um padrão de comportamento que revela desrespeito e falta de limites. Mas o mais grave é que esse episódio, transmitido em rede nacional, escancara o que acontece todos os dias na vida das mulheres: o assédio, o toque indesejado, o comentário sexual, a intimidação.
O medo é real. O medo de ser assediada no trabalho, na rua, em casa. O medo de ser desacreditada, de ouvir que “foi mal interpretado”, que “não era bem assim”.
O BBB apenas expôs para milhões de pessoas o que já sabemos: a violência contra a mulher não precisa de escuridão, ela acontece à luz do dia, diante das câmeras, e ainda assim há quem tente justificar.
Não podemos aceitar desculpas esfarrapadas. Não podemos normalizar o “entendi errado”. O que Pedro fez é assédio, e assédio não se relativiza. O caso no BBB26 é um lembrete de que a luta contra essa cultura precisa ser diária, combativa e sem concessões. Porque cada Jordana dentro da casa representa milhares de mulheres aqui fora, que continuam sendo silenciadas, culpabilizadas e violentadas. E é por elas que não podemos calar.
Thatiane Sonally
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